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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Por ser um dia cinza o II Movimento da 7ª do Beethoven parece dançar no sangue feito labirinto, e por parecer chover, prefiro mais as madeiras desta peça ao avião que corre escondendo-se por detrás daquele prédio de mais de vinte andares

E por ser enérgica, pulsante mesmo quando escrita em condições de efemeridade do autor nos idos de 1811-1812 e apresentada apenas em 1813 sob presença do próprio compositor em homenagem aos soldados austríacos feridos na guerra de Hanau, esse Allegretto me coloca sempre diante dessa sensação não descritiva de que nem sempre um movimento traduz o que pretende-se na gênese. Afinal, que sentido, qual direção aponta tão robustas frases musicais apresentada em micro melodias marcadamente ritmadas e repetitivas?





Sinfonia no. 7 in A Maior Op. 92 II Allegretto, Filarmônica de Viena.
Regência: Leonard Bernestein

terça-feira, 8 de abril de 2014

De cuando hay mucho más de Brasil en Medardo Casaibanda e de Ecuador en Ion bressan de lo que se pueda decirlo! O también de cuando soy loco por ti America, soy loco por ti de amores: Tenga como colores La espuma blanca De Latinoamérica y el cielo como bandera...

A última sexta-feira dia 4 de abril foi sem dúvidas uma noite memorável para a Orquestra Sinfônica da Universiade Federal de Sergipe (OSUFS) que recebeu para uma noite de concerto na igreja Católica do São José, na cidade de Aracaju, o maestro Equatoriano Medardo Casaibanda. Fazia tempo e a OSUFS não se mostrava. Ao menos não como imagino que deva ser. Sozinha e única como fim em si mesmo. Os concertos últimos eram todos uma emaranhado de tantas orquestras funcionando juntas e confesso isso me fazia não ter tanto ânimo em ir visitá-la.

Medardo Casaibanda
Ânimo esse que se restabeleceu ao recebermos em nossa cidade um maestro que não veio apenas reger e sim mostrar quão diverso e qualitativo é o nosso cone sul aqui na América Latina. E por minutos que ecoam cada vez que lembro bonitas passagens daquela noite, veio restabelecer o elo que existe entre o fazer musical e o ser músico. É inegável a injeção que sua presença trouxe ao conjunto que ensaiou e se apresentou de maneira ardorosa e empenhada como nem sempre o é.

Orquestra Nacional do Teatro Cláudio Santoro (OSTNCS)
E se o público presente não era tão farto como o foi no teatro Pedro Calmon em Brasilia quando o mesmo Casaibanda regeu o Concerto n º 3 para Piano e Orquestra em Dó menor , op. 37 de Beethoven, a regência leve e comprometida em extrair ao máximo tudo quanto foi desenhado nos ensaios entre coro e orquestra usurpou qualquer declive e deu ao público presente um concerto ideal. Satisfatório e didaticamente comprometido com a formação de uma plateia mais atenta às várias possibilidades que uma orquestra tem ao executar obras sinfônicas e de como se portar diante dela em execução. O concerto neste ponto foi o que de mais interessante me veio já que pude ouvir desde Tchaikovsky com a Suíte Quebra nozes numa dinâmica de cadência não tão óbvia como de costume e que muito me impressionou pela brincadeira que fez dela cadenciada e até circense principalmente quando o foco era a Valsa das Flores, até mesmo o Réquiem de Mozart ou o tão conhecido Can Can de Offenbach. Todas tão vibrantes quanto o meu desejo de que o concerto representasse muito além do que mais um dia isolado para metade da própria orquestra que desacredita a existência de boas possibilidades por parte de seu conjunto e que bem entendo, pode realmente ser menos passiva e se mostrar muito mais séria do que é. Menos preguiçosa do que vejo quase sempre. E embora eu entenda o caráter acadêmico de estruturação da OSUFS e os tantos percalços pelos quais ela se lançou até saltar do papel à realidade como esforço do Maestro Ion Bressan e ser mais um espaço real de oportunização da prática orquestral para muitos jovens universitários, vejo também do outro lado da moeda uma bagunça estética constante e uma desenfreada falta de bon senso educativo. Espero, a falta de educação dos músicos (os sopros mais que tudo) e também espantosamente o coro reflitam sobre todas as vezes em que o Maestro Medardo tenha pedido silêncio ou falado sobre a importância dele para que um conjunto possa se entender como um trabalho coletivo, e que essa reflexão não leve à constatação de que se a roupa suja se lava em casa, que o maestro Ion  (Regente e diretor artístico da Orquestra) os ensine a lavar com sabão que faça menos espuma: assim como no salto ornamental, que quanto menos água espirrar, melhor desenvoltura do candidato).

Mas para além de qualquer irritação aparente, dessas que saltam da observação falaciosa de um Jonas Urubu comprometido em levar a discórdia e o fel em forma de escrita, o concerto, esse o mais importante para todos que se dispuseram a vê-lo, muito me alegrou dentro da dinâmica simples de alcançar o alvo e se mostrar como o inicio de uma temporada que pode ser muito produtiva, e assim desejo. Se era proposital ou não, conseguiu ao menos mostrar que sim, ainda que com tão poucos recursos é possível ser vistosa e plural.
Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Sergipe (OSUFS)
Que a vinda de um Maestro equatoriano tenha mostrado a tanta gente desatenta que nós aqui no Brasil vamos sempre na contramão artística ao nos aproximarmos do público como se fosse Europa e esquecemos que a latinidade, a simplicidade não menos rica e comprometida com o esmero dos povos latinos dialoga muito mais com nós mesmo do que possamos imaginar, assim como ouvir a execução de uma dança tipicamente equatoriana, com todos os sons, sabores e cores que se materializavam fácil para se transformar no nosso samba tão bem dançado sem os exageros de fazer com que o estrado fosse também instrumento na Aquarela do Brasil (do brasileiro Ary Barroso) tão docemente orquestrada pelo maestro Bressan.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ou de quando os gatos saem os ratos fazem a festa!

Em mais uma divagação com uma das violinos de salto, acabamos por nos dar conta de que destrutivamente acabei por me ausentar de minha terra justo no momento em que mais atrativos parecem ser os concertos da Orquestra Sinfônica de Sergipe (ORSSE). Não tomo como aviso prévio de que mais parece conchavo esperando minha ausência, assim como matematicamente imagino quão bom seria se cada sergipano pudesse aproveitar centavo por centavo o que nossa Orquestra tem a nos dar.

De modo que encurtarei esse post ultra contraceptivo de baixo orçamento ideológico para dizer que para além de minha obvia afeição pelo Gustav Mahler  lamento não poder escutá-lo em sua 4ª sinfonia como forma de afugentar de meus dias as 9 sinfonias do Beethoven apresentas pela Orquestra sinfônica de Arequipa. 

" A apresentação que faz parte da série Laranjeiras, contará com a regência do maestro convidado Luiz Fernando Malheiro e solo da soprano Maíra Lautert, e terá como peça principal a ‘4º Sinfonia’, do compositor austríaco Gustav Mahler.
A peça escolhida para esta apresentação foi composta entre 1893 e 1896, mas estreou somente em 1901. Curiosamente, a obra começou a ser escrita pelo quarto movimento, originalmente concebido como passagens na terceira sinfonia. Mahler, entretanto optou por escrever uma nova sinfonia tomando por base essa composição, acrescentando-lhe as três partes iniciais.
O quarto movimento é o ponto focal da sinfonia. Nele aparece a soprano solista, cantando ‘Das himmlische Leben’ (A Vida no Paraíso) - poema popular alemão, de autoria desconhecida, parte do ciclo. Este poema representa o canto de uma criança que morreu e descreve o paraíso, com suas comidas deliciosas e abundantes, seus personagens e afazeres, sua música perfeita. As estrofes são intercaladas por breves interlúdios orquestrais, onde se sobressai o guizo do primeiro movimento, fazendo do concerto como um todo, uma experiência única e inesquecível." 
PROGRAMA:


Laranjeiras III

06 de setembro de 2013
Laranjeiras III – Teatro Atheneu
06, sexta-feira, 20h30


LUIZ FERNANDO MALHEIRO, regente convidado
MAÍRA LAUTERT, soprano

Gustav MAHLER
Sinfonia nº4

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Intrigante ver a mudança de discurso e a defesa de um programa que mescle popular com o erudito para agradar o público, ou de quando de uns tempos pra cá abrir as pernas (no sentido literal, claro, já que ainda mantenho uma relação pudica com as palavras) não requer o menor pudor!

Todo esse ácido para dizer que me sinto feliz (embora discorde ideologicamente das rupturas abruptamente escancaradas que menos tem a ver com intenções reais de popularizar-se por entender a necessidade de que a arte deva emanar do povo para o povo) de que haja uma tentativa interessante de levar à orquestra ao ponto de onde ela partiu. E quando digo isso, não é de longe uma defesa escancarada postulada sobre a égide da antiga direção artística da Orquestra Sinfônica de Sergipe ORSSE, não! No entanto hemos de convir que nos últimos anos a nossa orquestra tenha declinado em termos de popularidade. Passou da casa cheia ao mezanino às moscas e isso objetivamente reflete não a qualidade técnica do conjunto de músicos e maestro, não é isso que se deve questionar nessa perspectiva, mas sim, a maturidade artística de entender a necessidade local de cada povoamento e suas referências de arte.

Já postulei inúmeras vezes que não defendo o afastamento dos cânones musicais dos programas mensais, nem de longe seria sensato já que a pluralidade de compositores e estilos nos empurra pragmaticamente para a audição de potências como Mahler, Mozart, Dvorak, Villa Lobos, Beethoven, Vivaldi, Saint Saens e é sem dúvidas um deleite escutá-los de perto, de vê-los reinterpretados debaixo de nossa arena Tobiense. O que tange minhas predileções e que se firma evidente diante de todos aqueles que não injustamente se oportunizam refletir, é o fato de que o público sergipano aos poucos vem amadurecendo suas escolhas, defendendo de maneira mais intensa a construção de uma nova realidade que se perdeu quando o Lamentavelmente o Maestro Guilherme Mannis assumiu a direção artística da ORSSE e a transformou num infinito particular, infinitamente alheio a tudo que fora construído para melhorar a compreensão do público sobre o acercamento possível através de um tipo de música que nos retratasse ,de uma arte que por muito tempo em Sergipe se restringiu às aristocracias falidas e que finalmente abria espaço para que pobres, leigos, endinheirados, brancos, viados e putas pudessem compartir o mesmo espaço de audição e tivesse a acesso a um tipo de identificação que ultrapassava as barreiras do que pode ou não pode. Porque a música era o único elo, e universalmente os colocava como um só. 

Entendo a diversidade de condução, compreendo sem injustiças a importância de afastar-se de sombras do que é passado e fazer-se novo.  E em sendo o maestro Guilherme Mannis não mudaria mesmo em  nada em minha perspectiva de condução. Porque estou arraigado ao que acredito e vou até o fim defendendo o que julgo ser correto para mim ainda que todos a minha volta me mostre os equívocos. É parte do que somos defender o que acreditamos, é quando nos destacamos da multidão custe o que custar.  Mas existe nessa possibilidade um grande abismo, e é justamente nele que vejo mergulhado as escolhas administrativas que toma para si nosso maestro. E o abismo se representa na incapacidade de reconhecer que somos autônomos para perceber as mudanças forçadas, os discursos que não se sustentam sozinhos diante das predileções diretivas de um programa a outro, ou de que não conseguimos fazer sozinhos uma retrospectiva estética e perceber que sim, avançamos, mas não avançamos com a alma, não avançamos de maneira a naturalizar o espaço significativo que pode ter a música popular dentro de um espaço erudito. E justamente por isso me paraliso toda vez em que nos últimos meses a fio, mesmo à distância do Brasil, vejo muito mais defesas discursivas do que mudanças pragmáticas. Louvo e parabenizo os espaços que vem se colocando, até por entendê-los (sem arrogância) como pautas de reivindicação, e repudio amargamente a ideologia em trânsito, como que perdida na própria nulidade de não ir até o fim com o que deveria ser marca única de um projeto diretivo. 

A quem puder lembrar, Villa Lobos foi execrado por inúmeros segmentos por sua associação à francesa com o governo getulista que lhe provia de promoção em troca de escancaradas associações publicitárias ao seu governo. Oportunismo, burrice, egoismo ou pobreza ideológica? Certamente. Mas também a possibilidade de o termos como um dos maiores, quiça o maior da música erudita em toda a América. Karajan ou Bernstain: deliciosamente despóticos, eu sei. Tangíveis a qualquer consciência dotada de humanidade, e ainda assim, não há que vá de encontro ao fato de que havia sensibilidade estética em suas durezas de espirito. E que vê-los conduzir é como parar no tempo e anular qualquer informação de bastidor para vivenciar no palco a alma despida de pudor. O que há de comum em tudo isso é justamente o feito de não abrir mão de si para construir-se como queria o outro. Porque existe a possibilidade de não mudarmos nossas perspectivas, quando assumimos com tranquilidade a qualidade essencial de ser aquilo que acreditamos ser possível até o fim. E quem em percebendo a mudança, ela venha tranquila como um processo e não imposta como a vejo em programas como o desta quinta-feira 8 de Agosto de 2013 :

Serie Mangabeiras III
Brasil Sinfônico
Leonardo DAVID, regente convidado
Marco PEREIRA, violão
Marco PEREIRA
Violão Vadio
Suíte das Águas
Círculo dos amantes
Jean SIBELIUS
Sinfonia nº2, op.43, em ré maior
Quando:
08 de agosto de 2013, 20h30
Onde:
Teatro Tobias Barreto
Quanto:
R$ 20 (inteira)
R$ 10 (meia)



domingo, 26 de maio de 2013

Sim! Existe beleza num domingo frente à televisão ou se alguém tiver que arbitrar só poderá contar com os delírios de tudo que passou e já prescreveu.

Canal Arte 1
Descobrir na televisão algo que vá além da perspectiva rasa do entretenimento rápido, baixo e fácil é quase uma odisséia e talvez por isso mesmo eu me impaciente sempre quando fico frente ao aparelho televisor. Zapear é muito mais que uma inquietação imperativa, no meu caso, uma demonstração certa de que pouquíssima coisa (para além dos canais de filme) me interessa. Em recente conversa com uma das autoras do blog Violinos de salto descobri que o canal 101(arte 1 SKY) é dedicado exclusivamente e em tempo integral a tópicos sobre cultura em suas variadas manifestações. Prometi a mim que prestaria mais atenção a ele quando me deparo com uma incrível apresentação da Orquestra Filarmônica de Viena e solo de piano Chinês Lang Lang.  É uma pena que uma parcela mínima da população tenha acesso às redes fechadas de TV, de toda sorte, sigo acreditando por hora que um dia a poesia de fato vá conquistar a todos o direito ao pão como bem postulou Rosa Luxemburgo. Enquanto esse dia não vem, nos contentemos com as migalhas informativas e as impressões nem sempre tão exultantes desta gravata amarrotada pela falta de tempo.

O fato é que toda vez que vejo um concerto na televisão, eles me parecem surreais, quase impossíveis de ser digerido, tamanha seja sua qualidade. É como se meus ouvidos não estivessem educados a perceber as nuances intimistas de uma boa execução. Ao que suponho chamar de desespero espiritual. E não um desespero lacerante, e sim uma abertura para desejar o impossível. Desejar estar ali pertinho, de tê-los aqui comigo ou de poder ter assas e voar muito mais sempre que possível para esses espetáculos de uma vez a cada ano em nossas vidas. Sou afortunado e não reclamo o fato de poder viajar com freqüência e ver boas audições, de toda sorte gostaria que fosse muito mais constante e que a cada semana fossem ali do lado.

Orquestra Filarmônica de Viena
O canal 101 (disponível na SKY) é sem dúvida um horizonte para os que vem tão distantes a realidade da arte em suas vidas e uma proposta atraente aos que desejam conhecer (no caso musical) concertos não tão convencionais e melodias já batidas com leituras qualitativas. O concerto deste domingo 26 de maio por exemplo, foi uma mostra de quão confuso e intrigante pode ser esperar magnitude de uma execução, por levar em conta o currículo do grupo, e decepcionar-se ou de impressionar-se com um bis ao final do concerto como se ele por si só valesse a apresentação completa. Foi exatamente nesta ordem que contemplei o maestro Indiano Zubin Mehta reger de maneira esplendorosa o concerto nº 2 do Chopin com um solo alucinante do Lang Lang.
Lang Lang
Considerado pela crítica como um dos maiores expoente pianistas da atualidade e alçado pelo jornal americano The NY times como o mais espetacular artista clássico da atualidade, a performance violenta do chinês contribuiu em muito para arrancar aplausos da platéia entre um movimento e outro. E embora eu ache forçadamente desnecessária a caricatura na qual se envolve toda vez que toca em público, inegavelmente existe demanda de talento e prospecção em seus dedos em relação à obra do Chopin. Toda essa beleza ficou infinitamente pequena diante da lacerante execução da Polonaise em Lá que ecoou maior do que me parecera quando apreendido a primeira seqüência de notas, e de quando a platéia silenciou climaticamente para irromper no final de sua apresentação.

Contraste que impossibilita comparação entre as peças do programa, já que a 5ª do Bethowen tão esperada por mim, acabou não passando de um equivoco desmesurado e sem possibilidade de deleite. Esperei ansioso todo o vigor recorrente que exige o primeiro movimento desta sinfonia, antevendo a tensão necessária que faz com que ela seja emblematicamente uma dos maiores enigmas musicais de que se tem discussão, e não passou de um fardo arrastado e incompreensivamente fora do seu ritmo minimamente aceitável.
Zubin Mehta
Não empolgou e levou junto todo o encanto do segundo movimento voltando a parecer ter significado apenas do meio do terceiro movimento para o final do quarto. Ainda assim vale ressaltar a magnífica cumplicidade entre a regência explicativa e sem arroubou do Zubin Mehta e a generosidade com o qual entendeu o tempo de conduzir o brilhantismo do solista como alavanca para que fosse resplandecente a orquestra.  

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Amanhã é dia de concertos comemorativos

O dia de amanhã, quinta-feira (23-08-2012) será particularmente muito interessante. E claro, por um brilhante motivo. Poderemos verificar algo que tenho constatado faz tempo sobre a finalmente merecida diversidade de espaços de um mesmo seguimento na cena cultural sergipana. A noite nos será brindada com dois importantes concertos comemorativos. 

Primeiro a ORSSE (Orquestra sinfônica de Sergipe) que trará a Sergipe a presença do maestro Italiano Francesco La vecchia, condutor titular desde o ano de 2002 da Orquestra Sinfônica Di Roma, para um concerto alusivo ao ano da Itália no Brasil. No repertório, o brilhante Intermezzo da Cavalleria Rusticana, do também Italiano Pietro Mascagni, peça que separa em duas partes a ópera de apenas um ato. E também a parte mais conhecida do grande público (já que faz menção ao cavalheirismo rustico descrito no titulo da obra) e nos assalta em um profundo adagio lirico à italiana. 

Além do trecho italiano o concerto contará ainda com o Idílio de Siegfried, de Richard Wagner: oferecido a sua esposa como presente de aniversário. E a também tão controversa e polemica Sinfonia Nº 3 em Mi bemol de Ludwig Van Beethoven, conhecido pelos grande estudiosos de música como o florescer da música romântica, uma vez que rompe com alguns manejos da tradicional música clássica. Vale a pena ressaltar que a Sinfonia ficou conhecida como a Heroica, inicialmente a peça foi dedicada ao Imperador Francês Napoleão Bonaparte, mas descontente com o déspota, Beethoven retirou a dedicatória ao General francês e deu-lhe nome de Heroica, como parte das recordações à memória de um homem que representasse os ideais primeiros que o inspirou a escrever a sinfonia. O concerto acontecerá no palco do Teatro Tobias Barreto e tem inicio marcado para acontecer às 20: 30hs. 

Já do outro lado da Cidade, no palco do Teatro Atheneu às 19:30hs acontecerá o concerto comemorativo ao dia do Soldado brasileiro, com a execução da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Sergipe (OSUFS) juntamente com a participação importante da banda do 28º Batalhão do exército brasileiro. A noite alusiva será saudada com uma série de obras que remeterá o público aos sons típicos das batalhas e dos confrontos como o Coro dos soldados, do compositor francês Charles Gounoud, que faz parte da ópera Fausto e faz alusão a admiração do autor à intelectualidade germânica fortemente difundida na Europa através obra do escritor Alemão Goeth.

O concerto ainda conta com o Coro dos Ferreiros, da Ópera Il Trovatore, que juntamente com Rigoletto e La Traviata formam a tão célebre trilogia Verdiana. Essas obras foram compostas uma seguida da outra e tem caráter mais popular e de fácil apreensão por parte dos expectadores. Seguidos dentre outros pela Marcha da ópera Aida, ainda do mesmo compositor e encomendada pelo governo egipicio para a inauguração do Canal de Suez. Vale lembrar a vitalidade que se exige dos trompetes e o coro nessa obra que se situa no II ato da ópera que está dividida em quatro partes. 

 À frente da OSUFS desde sua criação como parte de um projeto de extensão da universidade Federal de Sergipe, o maestro gaúcho Ion Bressan regerá ainda obras não menos eruditas mas de caráter mais popular como O bom, O mal e o feio do famoso compositor de cinema Ennio Morricone e a parte da trilha sonora do filme Piratas do Caribe. Junto com a banda do exército, o concerto conta ainda com a participação do Coro Sinfônico da universidade Federal, o CORUFS.

Mais importante que ressaltar a necessidade de comemorar duas importantes datas, e de se fazer musica em escala diversificada, e o fato de que mesmo acontecendo na mesma noite, um concerto anula o outro. Pela flexibilidade de horários será possível beliscar um pouco dos dois programas e se fartar de música numa noite quase unanimemente Italiana. 

Teatro Atheneu: Rua Vila Cristina s/n, 49015000 Aracaju-SE
Teatro Tobias Barreto: Avenida Presidente Tancredo Neves2209 - Grageru Aracaju-SE