quinta-feira, 13 de abril de 2017
sábado, 8 de abril de 2017
Um dia li do Vinícius que de repente do riso fez-se o pranto, silencioso e branco como a bruma...
Há dias em que a saudade é como clarão de lua. Te sentas frente ao mar e o vento te sopra forte o burburinho ruidoso do quebrar das ondas. É um aceno, um beijo talvez. Um alento de dizer que a brevidade da vida é um átomo, tal qual a fina areia escorrendo entre os dedos quando resvalas em instinto a débil ideia de possuir um punhado de amplitude. O horizonte não tem sentido algum senão deixar-se observar e ser teu. Dá-te as mãos e é como um sopro amigo a dizer-te o caminho de resinificar tudo em memória.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
Sim, justo por ter sido aprovado no DELE resolvi terminar esse texto esquecido nos meus rascunhos. Escrevo como quem samba de felicidade por não ter perdido quase 500 reais da inscrição e sabendo que a assinatura nesse certificado vai pra gaveta já já e sequer representará a felicidade de agora. Ou de quando se nada for útil no texto vá até o fim assim mesmo, escute aquele Piazzolla maroto e feliz como se fosse o Pharrell Williams e deixe um coments bacana.
Outro dia numa roda de amigos me perguntaram o motivo do meu interesse pelo idioma Castellano, não titubeei ao afirmar que devia-se por questões culturais, de apropriação de algo com maior veracidade. Quando eu tinha 16 ou 17 e dava os primeiros passos no idioma, imaginava que seria incrível ler "Cem anos de solidão" do García Márquez na língua materna do autor colombiano. Não estava de todo equivocado e por isso minha jornada por ler o Hugo em Francês o Dante em Italiano ou recentemente aquele box incrível da saga Harry Potter que presenteou-me meu irmão de quando seu intercâmbio nos Estados Unidos. Hoje tudo isso continua a fazer sentido mas ultrapassa a questão literária.
As possibilidades musicais para além da prática de um instrumento pode e deve ser ampliada através do domínio de uma língua estrangeira. Não são poucos os exemplos de amigos ou desconhecidos nos jornais que são mostrados conquistando outros palcos pelo mundo afora. Tudo isso, passa antes, por uma bateria de meses, semestres ou até mesmo anos de estudo nas universidades, conservatórios e academias de música em países de tradição (ou não) na música. É certo que ninguém em absoluto é incapaz de lançar-se rumo ao desconhecido sem dominar minimamente a língua daquele local, mas que sabê-lo facilitará nossa vida e abrirá caminhos menos tortuosos em termos de comunicação e adaptação, isso sim.
Não é preciso desejar estudar fora pra enxergar a importância de um outro idioma, nesta perspectiva, a universalidade do inglês é fundamental e isso faz-me recordar um Masterclass que participei (como observador) há uns três anos atrás e de como era vexatório o desconforto dos professores diante da total incompreensão por parte dos presentes. Não havia comunicação e com isso, tempo e conhecimento quase esperdiçados. Não, não é obrigação de ninguém adequar-se, ou é: depende dos objetivos a seguir, quase sempre na rotina de músicos que se prezam (porque tem muito "profissional" que não) ir a congressos, festivais, circuitos de música e afins. Não há como desprezar a importância de um outro idioma que conecte você ao mundo de possibilidades e contatos, sejam profissionais ou não. Repensar isto certamente te fará comprar com mais facilidades aquelas cordas em site gringo, ver aquela entrevista marota com o seu ídolo na música, viajar o mundo em busca de melhor entendimento e inserção no seu universo, isso tudo sem precisar sair de casa, ao alcance do teclado e do monitor para digerir a internet.
Por ora indico o Oblivion Happy do quarteto de Berlim e deixo pra outro dia o segundo exemplo que abordaria, de quando uma amiga violinista recebeu um convite sério de ir passar uma temporada em terras andinas tocando com uma orquestra expressiva e não moveu uma palha sequer pra que fosse realidade esse intercâmbio bacana!
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sábado, 18 de fevereiro de 2017
Por ser um dia cinza o II Movimento da 7ª do Beethoven parece dançar no sangue feito labirinto, e por parecer chover, prefiro mais as madeiras desta peça ao avião que corre escondendo-se por detrás daquele prédio de mais de vinte andares
E por ser enérgica, pulsante mesmo quando escrita em condições de efemeridade do autor nos idos de 1811-1812 e apresentada apenas em 1813 sob presença do próprio compositor em homenagem aos soldados austríacos feridos na guerra de Hanau, esse Allegretto me coloca sempre diante dessa sensação não descritiva de que nem sempre um movimento traduz o que pretende-se na gênese. Afinal, que sentido, qual direção aponta tão robustas frases musicais apresentada em micro melodias marcadamente ritmadas e repetitivas?
Sinfonia no. 7 in A Maior Op. 92 II Allegretto, Filarmônica de Viena.
Regência: Leonard Bernestein
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Acreditei no Caetano quando disse que todos os homens do mundo voltaram seus naquela direção!
E se de repente você redescobre lamentavelmente que os de fora têm maior fascínio pela promoção de nossas belezas musicais? Não uma, ou duas, ou mil vezes, mas infindas vezes você encontrará belezas musicais nossas executadas e ou visitadas (com fascínio e entusiasmo) por grupos sinfônicos internacionais, se isto é um recado latente sobre apropriação cultural, bem, não sei dizer, não tive tempo de definir a sensação pois o ritmo do vídeo que disponibilizarei abaixo, não me deixa em paz. Repito-o muitas vezes até diferenciar os entretons nas cores deste arranjo envolvente.
Disse "envolvente" no sentido de reparar o uso frequente da palavra "Maroto" (Já que fui advertido por um leitor frequente deste espaço, de que o uso do termo soava displicente demasiado com a identidade do blog. Meus dedos congelaram alguns segundos antes de mandá-lo ir às favas por razões bem óbvias, mas como as vacas andam mais magras do que o normal e este blog sequer ostenta muitos leitores, preferi a linha Alice com ele, na esperança de que o vídeo que compartilho agora seja mais producente do que a resposta anexa. Aliás, que tal escolher uma das três opções abaixo para comentar a beleza desse Arranjo da música Mais que nada, do Jorge Ben Joe e Sérgio Mendes (aquele mesmo, quase vencedor do Oscar de melhor Trilha pelo animação Rio) e interpretada pelos 12 cellistas da Filarmônica de Berlim.
1. Primeiramente Fora Temer ( )
2. Envolvente ( )
3. Maroto ( )
PS. Dica do dia: O título desta publicação e uma das tags poderá levar-te a escutar uma das canções mais lindas do Cd Livros.
Disse "envolvente" no sentido de reparar o uso frequente da palavra "Maroto" (Já que fui advertido por um leitor frequente deste espaço, de que o uso do termo soava displicente demasiado com a identidade do blog. Meus dedos congelaram alguns segundos antes de mandá-lo ir às favas por razões bem óbvias, mas como as vacas andam mais magras do que o normal e este blog sequer ostenta muitos leitores, preferi a linha Alice com ele, na esperança de que o vídeo que compartilho agora seja mais producente do que a resposta anexa. Aliás, que tal escolher uma das três opções abaixo para comentar a beleza desse Arranjo da música Mais que nada, do Jorge Ben Joe e Sérgio Mendes (aquele mesmo, quase vencedor do Oscar de melhor Trilha pelo animação Rio) e interpretada pelos 12 cellistas da Filarmônica de Berlim.
1. Primeiramente Fora Temer ( )
2. Envolvente ( )
3. Maroto ( )
PS. Dica do dia: O título desta publicação e uma das tags poderá levar-te a escutar uma das canções mais lindas do Cd Livros.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
“Essa é uma questão no mundo sinfônico: Mudar o formato, sem deixar nossas raízes, mas se aproximar desse público de hoje. Ficou mais simples se comunicar e a música sinfônica tem que alcançar essa velocidade.”
Não, não morremos! E meses de ócio, de férias da pasmaceira musical que assolou as bandas de cá esses últimos dois anos, fizeram-me ainda mais temeroso do que pode vir por aí. Como num movimento preguiçoso e covarde, tem muito grupo musical, muito músico achando que tá fácil a selva e não tem dado a cara a tapa. Quase nada novo tem acontecido de positivo (vide este blog que segue indo do nada ao nada).
Por isso, enquanto espero pela temporada 2016 em qualquer canto de intermédio, vasculho uma ou outra notícia marota. Assim que aproveito para compartilhar esta daqui sobre a OPES (Orquestra Petrobrás Sinfônica) usar um repertório pop, neste caso, através da musicalidade instigante e perpétua do (ex-tinto) e ainda fresco grupo Los Hermanos para promover as possibilidades sinfônicas. Numa entrevista ao Thiago Dias do portal UOL em São Paulo, o maestro Felipe Prazeres, Regente do projeto e assistente na Petrobrás Sinfônica, explicita de maneira clara o poder de um repertório popular para desconstruir barreiras e formar a renovação de um público jovem e atento a outras formas de linguagem, caso da releitura que fazem do terceiro álbum dos Los Hemanos, o Ventura.
Vale a pena a leitura, mas não empolgue-se tanto amiguinho, ainda estamos falando de um produto caro e pouco acessível, a menos que você esteja aí do lado certo do país. E a quem não, nem puder estar, basta torcer que esse concerto viaje por muitos estados como foi com a Ouro Preto e seu concerto com o repertório Beatles (que na oportunidade fora patrocinada pela BR).
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Serviço:
Ventura Sinfônico
Ventura Sinfônico
Rio de Janeiro
Data: 11 de fevereiro de 2017 (sábado)
Horário: 22h
Local: Fundição Progresso - Rua dos Arcos 24 - Lapa
Preços: R$ 80 (meia) e $160 (inteira)
Telefone: (21) 3212-0800
Apresentação seguida por show do Bloco pra Iaiá, dedicado ao Los Hermanos
Porto Alegre
Data: 16 de fevereiro de 2017 (quinta-feira)
Horário: 20h
Local: Auditório Araújo Vianna - Av. Osvaldo Aranha 685
Preços: R$ 80 (meia) e R$ 160 (inteira)
Telefone: (51) 4003-1212
São Paulo
Data: 17 e 18 de fevereiro de 2017 (sexta-feira e sábado)
Horário: 21h
Local: Teatro Bradesco - Bourbon Shopping - Rua Palestra Itália 500, 3° piso
Preço: R$ 100 (meia) e R$ 200 (inteira)
Telefone: (11) 3670-4100
Capacidade: 1439 pessoas
Classificação: livre
Data: 11 de fevereiro de 2017 (sábado)
Horário: 22h
Local: Fundição Progresso - Rua dos Arcos 24 - Lapa
Preços: R$ 80 (meia) e $160 (inteira)
Telefone: (21) 3212-0800
Apresentação seguida por show do Bloco pra Iaiá, dedicado ao Los Hermanos
Porto Alegre
Data: 16 de fevereiro de 2017 (quinta-feira)
Horário: 20h
Local: Auditório Araújo Vianna - Av. Osvaldo Aranha 685
Preços: R$ 80 (meia) e R$ 160 (inteira)
Telefone: (51) 4003-1212
São Paulo
Data: 17 e 18 de fevereiro de 2017 (sexta-feira e sábado)
Horário: 21h
Local: Teatro Bradesco - Bourbon Shopping - Rua Palestra Itália 500, 3° piso
Preço: R$ 100 (meia) e R$ 200 (inteira)
Telefone: (11) 3670-4100
Capacidade: 1439 pessoas
Classificação: livre
terça-feira, 29 de março de 2016
Delação premiada serve também ao mundo musical.Ou de quando Há muita coisa acontecendo do lado de lá do Brasil que as vezes nem nos damosconta pelo acaso da geografia.
José Luiz Herencia, ex-diretor geral da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, que está sendo investigado por desvios que podem ter causado prejuízos de mais de R$ 18 milhões aos cofres públicos municipais, confessou os crimes e fechou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (o acordo ainda não foi homologado pela justiça). A informação foi divulgada na última quinta-feira, dia 17 de março, pelo jornal O Estado de S. Paulo. Conforme a reportagem, em sua delação Herencia envolveu no esquema fraudulento o diretor executivo do IBGC (organização social que dá suporte à gestão da casa) William Nacked e o diretor artístico John Neschling. O Secretário de Comunicação da Prefeitura Nunzio Briguglio Filho também foi citado. Herencia teria confessado ter recebido R$ 6 milhões, William Nacked teria recebido outros R$ 6 milhões, e o maestro Neschling depositaria a parte dele em contas no exterior por meio do produtor Valentin Proczynski, diretor da agência Old and New Montecarlo. Já o secretário Nunzio Briguglio Filho teria se empenhado pessoalmente para que fosse firmado o contrato do projeto Alma Brasileira. O acordo de delação prevê que Herenica devolva os seus R$ 6 milhões desviados.(Leia a reportagem completa de O Estado de São Paulo aqui.)
O projeto Alma Brasileira foi lançado, em Brasília, em agosto do ano passado, pelo ministro Juca Ferreira e pelos diretores Herência e Neschling, e previa também a participação do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e de teatros da Bahia e de Minas Gerais. Alma Brasileira seria um grande projeto multimídia realizado pelo grupo catalão La Fura dels Baus em torno do compositor Heitor Villa-Lobos. A realização, que teria um custo de R$ 5 milhões, seria integralmente bancada pelo Ministério da Cultura (leia mais sobre o Alma Brasileira aqui). Já em dezembro passado, na coletiva de imprensa para apresentação da temporada 2016 do Theatro Municipal, John Neschling, questionado, havia comunicado o cancelamento do projeto.
Na sexta-feira passada, dia 18 de março, o ministro Juca Ferreira divulgou nota sobre os superfaturamentos do Theatro Municipal e sobre o projeto Alma Brasileira, em que sustenta que não foi feito nenhum aporte ao projeto uma vez que “os realizadores se negaram a detalhar gastos no valor de R$ 3.299.980,00 que estavam alocados para pagamento da empresa Old and New Montecarlo”. Por sua vez, o Secretário Nunzio Briguglio Filho afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que não teve nenhuma participação na decisão de contratar ou realizar o espetáculo.
No último, dia 19 de março, o maestro John Neschling publicou um post em sua página do Facebook, refutando as acusações. “É curioso que se dê ouvidos a um ladrão confesso que tenta, para seu próprio benefício acusar maldosamente quem nunca participou de suas falcatruas. Certamente é sua forma de se vingar, uma vez que fui eu quem procurou o prefeito da cidade para alertá-lo da necessidade de uma investigação, quando suspeitei de que as coisas não estavam corretas na administração da Fundação e do IBGC, entidade privada que a administra”, escreve o diretor artístico (leia a íntegra do post abaixo).
Por conta das investigações, em 26 de fevereiro passado o prefeito Fernando Haddad determinou uma intervenção no IBGC, que desde então está sendo conduzido por Paulo Dallari, atual diretor geral da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.
Leia na íntegra a matéria da Revista Concerto aqui.
quinta-feira, 24 de março de 2016
Salve o regresso do importante blog Violinos de Salto!
Poucas coisas dão felicidade a um blogueiro ou mesmo àquelas pessoas aficionadas por notícias mais leves e com sentido prático sobre o meio musical do que a notícia feliz de um retorno propulsor de compartilhamentos daquele velho blog que você sempre e sempre acessa na esperança de uma atualização marota. Faz tempo acompanho os passos do blog Violinos de salto e dele pude sempre extrair bons conselhos e indicações incríveis. E foi justo nele que aprendi a leveza da pluralidade do fazer musical.
Depois de um hiato e meio que de fininho ele voltou por estas semanas com atualizações bem recorrentes e muito acalantadoras nestes tempos de névoas que parecem infindas do lado de cá. Indico uma passagem tranquila por lá, sem tempo determinado ou pressa. Há muita vida e vitalidade nos posts que vão te apresentar desde importantes indicações de Master classes, concertos, dicas de compras para utensílios musicais, ajudas oportunas sobre técnicas de estudo e aquisição de uma identidade musical desde o erudito ao popular.
A seguir trecho de um dos recentes post :
No que investir?
"Muita gente me pergunta em que materiais investir quando adquirimos o primeiro violino. Eu sempre penso que quem está começando não deve gastar rios de dinheiro de uma vez em coisas extremamente caras. Ah! Noemi, eu tenho que comprar coisas de baixa qualidade? Na verdade, sim. Primeiro que você não vai sentir diferença, além disso nem sabe se vai continuar estudando violino a vida toda. Em pouco tempo, caso você se dedique, você vai sentir necessidade de comprar uma corda melhor, depois pode querer mudar o arco e assim sucessivamente. Por isso não saia por aí gastando. Converse com seu professor, com amigos, leia muito e espere. A experiência vai te ajudar nas mudanças.
Depois de um hiato e meio que de fininho ele voltou por estas semanas com atualizações bem recorrentes e muito acalantadoras nestes tempos de névoas que parecem infindas do lado de cá. Indico uma passagem tranquila por lá, sem tempo determinado ou pressa. Há muita vida e vitalidade nos posts que vão te apresentar desde importantes indicações de Master classes, concertos, dicas de compras para utensílios musicais, ajudas oportunas sobre técnicas de estudo e aquisição de uma identidade musical desde o erudito ao popular.
A seguir trecho de um dos recentes post :
No que investir?
"Muita gente me pergunta em que materiais investir quando adquirimos o primeiro violino. Eu sempre penso que quem está começando não deve gastar rios de dinheiro de uma vez em coisas extremamente caras. Ah! Noemi, eu tenho que comprar coisas de baixa qualidade? Na verdade, sim. Primeiro que você não vai sentir diferença, além disso nem sabe se vai continuar estudando violino a vida toda. Em pouco tempo, caso você se dedique, você vai sentir necessidade de comprar uma corda melhor, depois pode querer mudar o arco e assim sucessivamente. Por isso não saia por aí gastando. Converse com seu professor, com amigos, leia muito e espere. A experiência vai te ajudar nas mudanças.
Para quem está começando:
- Violino legal – Antes de comprar é bom pedir uma avaliação de seu professor. Já vi muitas pessoas que gastaram milhares em violinos que não valiam nem centenas. Fique esperto.
- Encordoamento – Não compre cordas de ponta. Não vejo sentido em gastar 300 reais em cordas que serão usadas em um violino de 150. Você não sentirá a diferença e isso porque realmente não terá diferença. Compre cordas baratas mesmo, com o tempo você sentirá necessidade de trocar.
- Espaleira – Tem gente que não usa. Mas a maioria dos alunos e professores que eu conheço usa. Fale com seu professor e pergunte se ele pretende usar nas suas aulas.
A matéria completa e tantos outras preciosidades podem ser acessadas diretamente da página na web que indico aqui. Deleitem-se, e não esqueçam: Deixar um coments lá e cá é tão singelo quanto importante aos que escrevemos e partilhamos nosso tempo com vocês!
domingo, 20 de março de 2016
#Ouve aquela canção que não toca no rádio!
Há presentes de aniversário que chegam num pen drive e fazem festa em sua vida reverberando um bom som por muitas e longas noites. Com a música que apresentarei abaixo foi assim: esperei uma vida desde que assisti o filme Piaf, na busca por encontrar o trecho que encerrava o filme quando apareciam os créditos. Não o encontrava em canto algum e nem mesmo o santo Youtobe me salvava, até que no meu aniversário descobri o trabalho hercúleo que teve o meu amigo Társis Santos de baixar o filme e editá-lo a fim de extrair apenas aquele trecho para me presentear. Fato que por si só salvou uma alma.
Essa semana descobri que para alegria geral de todos e com o fim de salvar também outras almas, o mesmo amigo Társis, resolveu postá-la em seu canal, dando vazão a função do título deste post, que estava um tanto quanto abandonado. Assim que tomo esta felicidade como forma de iniciar mais uma tentativa de levar este blog adiante no ano de 2016:
Essa semana descobri que para alegria geral de todos e com o fim de salvar também outras almas, o mesmo amigo Társis, resolveu postá-la em seu canal, dando vazão a função do título deste post, que estava um tanto quanto abandonado. Assim que tomo esta felicidade como forma de iniciar mais uma tentativa de levar este blog adiante no ano de 2016:
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
"Ah! Criatura! Quem Poderia pensar que Orfeu: Orfeu Cujo violão é a vida da cidade e cuja fala, como o vento à flor despetala as mulheres - que ele, Orfeu, ficasse assim rendido aos teus encantos!" Ou de quando o melhor o tempo esconde, longe, muito longe, mas bem dentro aqui...
Remoí toda a noite o fato de ser tão mais fácil despejar num artigo milhares de sensações negativas sobre algo. A inquietude que se abateu sobre minha debilidade em escrever uma linha que fosse fez-me mais feliz porque me dava tempo de assimilar tanta beleza acumulada e escondida. E é tão mais feliz o entretom desta manhã quando me convenço em explicitar que estive errado muitas vezes em não admirar a Orquestra Sinfônica de Sergipe com olhos de primeira vez.
De sorte, me contou o Quintana que essas coisas que parecem não terem beleza nenhuma são simplesmente porque não houve nunca quem lhes desse ao menos um segundo olhar. E ao fazê-lo ontem, como exercício de resignação, flutuei nas notas de um concerto magnífico. Letárgico, no melhor sentido que possa existir nesta sensação de abandonar o corpo para que se atenue os melhores sentimentos.
Minhas expectativas em escutar o Adagietto da 5ª Sinfonia do Mahler despencaram ao não conseguir chegar em tempo. Era justo o motivo que me levava a acreditar que valeria a pena sair de casa depois de tantos concertos que me pareceram nulos neste ano de 2015... mas, ainda restava o tempo para que chegasse o Intermezzo da Ópera Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni e imaginei que me satisfaria em ouvi-la por desconhecer as duas outras obras, e confessar preguiça em por primeira vez não ter o impulso de pesquisá-las antes de ver o Concerto.
![]() |
| Orquestra Sinfônica de Sergipe |
Tudo que havia de esperança de uma noite terna se potencializou, sobre tudo quando, pude vislumbrar o que tanto imaginei ser o correto em termos de formação de público. E esta mescla entre peças tão conhecidas por serem temas recorrentes em outras representações artísticas, como o Adagietto do Mahler, marcadamente identitário como síntese de "Morte em Veneza" junto a obras quase desconhecidas de nosso público como o Concerto em Mi menor para flauta do Franz Benda, usurpou qualquer possibilidade de contradição e negativismos na construção de um programa que não apenas deve ser exaltado, como também reverenciado com uma segunda, terceira ou infindas noites de repetições frente a tantas obras que se repetem ano após anos sem um sentido de beleza maior.
Todas as vezes em que desgostei de um programa ou uma execução da nossa ORSSE, ontem se desfizeram por quase um segundo, e desejei que não acabasse nunca de tocar-me como o foi. Porque no palco não consegui identificar nenhuma daquelas mazelas que sempre reclamei ser impulso para não voltar a vê-los, mas ao contrário, a animosidade, a doçura e a delicadeza à exaustão eram como uma coisa só: flor de cristal brotando em meio aos lírios. A força de um conjunto que encheu de som o pequeno Teatro Atheneu Sergipense e não havia distinção entre os naipes (para além da mecânica pragmática) fazendo-nos vibrar não com um ou outro grupo específico, mas com todo o conjunto, que ontem do início ao fim tinham ares sutis. E quanto orgulho sentiriam ao presenciá-los tantos que por aqui passaram, quão envaidecidos ficariam sabendo da unidade daquelas cordas, que emanava dos violinos e se espalhava por todo o palco como contagio que impregna a alma de coisas boas.
E que profundeza havia no abismo de escutá-los atento. De ansiar os próximo ataques e orvalhar os olhos quando irromperam explosivamente audíveis os contra-baixos em minhas têmporas exaltadas e depois toda esta euforia esvair-se como de sopro na nuances dos cellos naquela Simple Symphony do Benjamin Britten. Nos Pizzicatos que prenderam o riso num movimento terno de contrair e relaxar o fôlego. Ah! Os Pizzicatos! Quantos sopros de sobrevida. Ah! As violas... Por fim, ouvia-se em coro. Por fim ouviu-se também solo e foi como desfazer todas as sombras que se lhes acometera por tanto tempo. Não havia porque desgostar ou exitar em apenas sentir partir delas um eco. E como não dizer nada em absoluto do tintilar daquela harpa que deslizava sorrateira até fazer-se gosta de chuva batendo na janela, ou a esperteza dos violinos, a quem detive longos minutos a encará-los em sua singeleza e não me contive em arrepios de quando em quando?
A entrega, a dança, e tudo que no silêncio se dobra traduzia-se na figura segura e tão flutuante do Maestro Daniel Nery, a quem tantos agradecimentos eu direciono por trazer a mim tantas indicações novas de programas únicos e especiais, das perspectivas de lisura em sua regência, que colocam a música como acesso a todos e tudo que se possa ansiar ser através da música. Tudo isto que foi mais que evidente na condução de uma das mais súbitas e arrebatadoras execuções do Intermezzo da Cavalleria Rusticana. Nenhuma gosta daquela serenidade, daquela dinâmica incrível de ser silêncio e depois crescer como o quem canta as venturas de um amor fugaz, não seria possível se n]ão houvesse para além d conhecimento, um sentido de interpretação que apenas nasce para poucos de sensibilidade aguçada. A fim de não cometer nenhum equívoco de memória, acho que o único deslize imperdoável é a não menção ao Flautista Silvio Jackel Neto no programa da noite. Uma falta que me coloca diante de uma posição de não poder saber nada além de que assim como cantou o Pessoa, já em apenas ouvir tuas notas de ária alada e cheias de vida, sofro a saudade dela e o quando cessar.
Programa:
DANIEL NERY, regente
SILVIO JACKEL NETO, Flauta
SILVIO JACKEL NETO, Flauta
Gustav MAHLER
Adagietto da Sinfonia n.5
Adagietto da Sinfonia n.5
Franz BENDA
Concerto para flauta em mi menor
Concerto para flauta em mi menor
Pietro MASCAGNI
Intermezzo Sinfônico da ópera Cavalaria Rusticana
Intermezzo Sinfônico da ópera Cavalaria Rusticana
Benjamin BRITTEN
Simple Symphony
Simple Symphony
Marcadores:
Adagietto 5 ª Sinfonia,
Benjamin Britten,
Daniel Nery,
Franz Benda,
Intermezzo da cavalleria rusticana,
ORSSE,
Pietro Mascagni,
Silvio Jackel Neto. Mahler
sexta-feira, 10 de julho de 2015
A noite do Ópera House em Aracaju pela Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Sergipe e grupo Vocal Coda
Em um ano atípico para a música sinfônica em Sergipe, a noite de ontem 09 de julho foi palco de uma espetacular série de trechos de óperas no tablado do Teatro Atheneu e por assim dizer, a propiciação de um evento inédito e grato por sua concepção artística. Lado a lado a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Sergipe sobre a regência e direção artística do Maestro Ion Bressan, Coro Sinfônico e grupo vocal Coda oportunizaram ao público sergipano uma noite de grandes surpresas. Desde a evidência do crescimento de uma Orquestra mais sólida e qualitativa, ao repertório plural e a anunciação de vozes fascinantes como a da Soprano Vanice Dias Oliveira¹.
Há quase três anos escrevo neste espaço e uma das reclamações latentes que trago sempre é a da falta de grupos musicais independentes das Orquestras Sinfônicas e sobre tudo, que tragam para nossos palcos uma proposta artística definida, identitárias, que nos faça como expectadores, movermos-no do tédio orquestral sob o qual se concebem os principais grupos em nosso Estado. Esse é sem dúvidas um panorama que aos poucos vem se modificando com a aparição de grupos como Brasileiríssimo, OSCOM (Orquestra Sergipana de Contrabaixos) ou mesmo o Duo flauta e violão dos músicos João Liberato e Ricardo Vieira. Dentro desta perspectiva, a OSUFS vem se colocando desafiadora e tem proporcionado à cena musical a abertura de espaços diversificados e inventivos. Através do projeto de extensão acadêmica que a abriga dentro do curso de música da UFS, a Orquestra serve de espaço de experimentação e abriga não apenas alunos da licenciatura em música, mas de todos os cursos mediante aprovação em edital de seleção anual para Coro e Orquestra.
O Ópera House como espaço de experimentação é reflexo desta liberdade artística e se coloca ainda que não se pretenda, como o evento dos mais inventivos e importantes àqueles que buscam entretenimento musical descompromissado do rigor estético das salas de concerto este ano. Não menos musical e ou erudito, o concerto se sustentou sob a base do espetáculo e dialogou de maneira didática com seguimentos variados da sociedade a fim de apresentar a ópera sem todos os estigmas que pesam sobre esse gênero pouco compreendido entre os não praticantes da música clássica. Ópera neste contexto virou sinônimo de atração musical ao ser fragmentada em excertos bem postos frente a necessidade de fazer-nos conhecê-los sem desprezar a grandeza de suas particularidades, vide o constante diálogo entre Orquestra, teatralidade e canto. De todas estas especificidades e ainda os aspectos que continuo a achar tangencial como a irresponsável superlotação de espaços públicos como recorrentemente acontece em Sergipe e ou a desnecessária execução repetida à exaustão da infame Trilha do filme Piratas do Caribe por parte da OSUFS, a noite de ontem terminou por nos brindar um grande espetáculo operístico.
E essa possibilidade se fez frente a uma vibrante abertura com a Orquestra executando a introdução da ópera O Barão cigano de Johann Strauss (filho) ². Ponto que a mim como expectador pareceu ser dos mais felizes já que neste momento o brilho recaia todo sobre a execução apenas da Orquestra Sinfônica e indica o avanço de um caminho de construção que vi desde o comecinho quando os ensaios aconteciam ainda numa sala improvisada do CODAP (Colégio de Aplicação da UFS) dirigida e que ainda que reconheça boa parte dos naipes estruturantes da orquestra compostos em sua imensa maioria por músicos já profissionais da própria Orquestra Sinfônica do Estado, o que deslegitimaria numa primeira instancia o teor acadêmico da unidade, é preciso legitimar também a condição discente de muitos destes mesmo músicos e toda a imensurável contribuição que trazem como aporte da experiência da prática musical para o contato com os jovens musicistas. É se solidificam como espelho de uma possibilidade profissional aos que aprendizes que vislumbrem seguir por esta seara.
Ainda assim, o grande arroubo da noite foram as vozes passeando por cada fileira de gente atenta na sala. E as possibilidades cênicas iam desde La ci darem la mano da ópera Don Giovani de Mozart a excertos das óperas Tosca de Puccini, La traviata de Verdi e preciosidades como o solo do Barítono Roziel Benvindo interpretanto Di Provenza Il Mar da ópera La traviata, conseguindo arrancar extenuantes aplausos frente a força grave de seu canto e de como ainda que sem um figurino que remetesse à cena original em nada parecia não sentir aqueles impulsos como realidade. Uma grande feliz parceria entre a Orquestra e o grupo Coda na aproximação de elementos tão confluentes e particularmente pouco explorados por nossos grupos sinfônicos. Inevitavelmente o Canto tem sido o grande expoente nos últimos anos aqui em nossa terra, vide as Óperas que vimos serem executadas (ainda que sem o caráter de cenário e figurinos) pela ORSSE ou mesmo a presença corriqueira dele em concertos como O Disney a comemoração dos 46 anos de vida da UFS onde pudemos nos deliciar com o singular canto da Soprano Sergipana Naline Menezes em O Mio Bambino Caro de Puccine que neste concerto de ontem fora interpretado pela soprano e também delicada Patricia Sandes.
Tudo isto para chegarmos ao que gratamente chamarei de brilho maior que me apareceu como presente desde que a vi cantar pela primeira vez a La traviata baixo a batuta do Mastro Ion, e que ontem não precisava ter nome nem forma. Bastava que nos dispuséssemos a fechar os olhos e ainda assim o canto de Vanice Dias Oliveira nos guiaria como vulto até a altura da extensão de seu canto. E aos mais atentos na brevidade de sua aparição em cena, não mais que cinco minutos. O suficiente para arrebatar e parecer nos puxar altiva pela mão e do alto de um monte contemplarmos a aridez de Três homens e um conflito, filme do Sergio Leone para o qual compôs a sua trilha o compositor Ennio Morricone e para o qual deu vida Vanice ontem ao tomar o canto pelas vísceras e espremê-lo em beleza. Beleza que desejo que ecoe e se projete com a mesma doçura com a qual me arrepiou e ainda reverbera em mim.
Assim feito, a brevidade dessas percepções recaem sobre um lugar comum. O de ansiar por mais momentos como este. Por mais parcerias frutíferas como o foi com o Coda e sobre maneira o cuidado em pensar um repertório que não dialogue apenas com o fazer musical, mas sobre tudo com a acessibilidade, a formação de ouvintes e com o entretenimento através da contemplação artística. Neste caminho louvo a perspicácia na qual se sustenta a Orquestra Sinfônica de Sergipe num caminho de se consolidar como o aquele plano de fuga que preenche ao final quando as portas se abrem e enxergamos a luz no final do caminho.
¹ O programa traz os dois sobrenomes de maneiras separadas. Vanice Dias / Vanice Oliveira
² Para desfazer confusões Johann Straus Filho era filho do também compositor Johann Straus. Confira aqui.
³ Veja Programa completo aqui.
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segunda-feira, 1 de junho de 2015
Para quem acha que tudo está perdido e que Aracaju não tem programação cultural nunca, basta buscar um pouco de inserção. Ou de quando devíamos ocupar os museus e as ruas desta cidade com arte toda semana.
O projeto ‘Música no Museu’, considerado a maior série de música clássica do Brasil na atualidade, estará de volta à Aracaju no próximo dia 03 de junho, às 19h, novamente no Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda. Com a promoção do Instituto Banese e do Museu da Gente Sergipana, o projeto trará o RioHarpFestival, que é uma das maiores séries de concertos de harpa no Brasil. O concerto no Museu da Gente será o único realizado no Nordeste e contará com a harpista sergipana Thais Rabelo.
Thais é harpista da Orquestra Sinfônica de Sergipe (ORSSE), Mestre em Música pela Universidade Federal da Bahia e Técnica em Música com habilitação em piano pelo Conservatório de Música de Sergipe. Durante o concerto, a musicista interpretará peças solo e formará duo com o músico Jair Maciel, no cello e no contrabaixo acústico. O repertório contará com peças de composição e arranjo da própria harpista, que também interpretará músicas de compositores renomados. Dentre as peças estão Rio São Francisco-Correnteza, Thais Rabelo; o solo Nocturne, de Mikhail Glinka; Lord of the Rings, Howard Shore; Ave Maria, Charles Gounod; Noites Brasileiras, Luiz Gonzaga; dentre outros. A apresentação é aberta a todos os públicos e a entrada é gratuita.
RioHarpFestival
O RioHarpFestival existe há 10 anos e é considerado o maior festival de harpas do mundo. Desde 1º de maio até 30 de junho serão realizados 150 concertos, que vão além do Rio de Janeiro e se expandem para cidades de São Paulo, Minas Gerais e do Nordeste, incorporando a Espanha (Madrid) e Portugal (Lisboa e Porto).
O projeto Música no Museu, iniciado no ano de 1997, tem o patrocínio dos Correios e foi reconhecido pelo RankBrasil como a maior série de música clássica do Brasil. Todos os concertos do projeto são gratuitos, englobando diversos gêneros musicais, contemplando desde a Música Antiga até a Contemporânea, com uma variação enorme de intérpretes e seus respectivos instrumentos, trazendo ainda um caráter didático de formação de plateia. A outra peculiaridade é a valorização de compositores brasileiros contemporâneos, além de nomes internacionais e nacionais já consagrados.
Fonte: https://www.facebook.com/events/1581114172154103/
domingo, 24 de maio de 2015
Ele me perguntou se no céu tem Beatles e eu pensei entre o groove e a maciez firme dos pizzicatos que chegavam a mim que céu é onde se propõe tocar a Orquestra Ouro Preto.
Ou poderia apenas ter respondido que bastou que esse céu fosse Aracaju na noite do último sábado 23. E que a chuva caia torrencial lá fora como forma de apaziguar o fogo incontido que saltava daquele repertório para as cadeiras do pequeno Teatro Atheneu, impregnando de esperança os tempos nublados na música sinfônica aqui em Sergipe.
O repertório já conhecido do quarteto de Liverpool ganhou roupagem doce ao mostrar a possibilidade de grandiosidade na junção de um grupo de rock e uma formação de câmara tocando clássicos do Beatles como Yesterday, Let It Be ou Hey Jude. Esse próprio fato me fez lamentar não ter podido ver essa mesma concepção idealizada pelo James Bertisch e executada pela Orquestra Sinfônica de Sergipe no final do ano passado. Muito embora não estive presente não deixo de entender que foi um grande concerto e uma grande noite pra nossa orquestra sergipana.
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| Maestro Rodrigo Toffelo |
E levei algumas horas imaginando o primor, a dedicação com a qual o grupo se colocou diante desta nossa plateia, que ainda em formação já dá sinais de entender cada espaço como uma construção do apuramento musical. O que em nada diminui a exasperação quando ovacionavam aos gritos o findar de cada peça ou mesmo ao começo ou meio de uma melodia. Ah que se perdoar este pecado lembrando a fala do próprio Maestro explicando que música deve ser a comunhão. De modo a naturalizar algo peculiar e tão sensível na maneira como o Rodrigo Toffolo parece entender a arte, e de como falava à plateia sobre movimento, arte, pintura e literatura sem carregar no tom pretensioso ou carregar a áurea arrogante dos mais iluminados quando tentam conquistar uma formação musical impondo uma erudição aristocrática que não cabe mais no espaço coletivo de uma plateia em movimento e não mais apenas passiva.
Ao que parece ser necessário abrir parêntese para a importância de agências patrocinadoras do fomento a arte e cultura como faz a Petrobrás com a Sinfônica Ouro Preto e suas turnês. É sobre tudo como um alento possibilitar que a arte se propague e avance caminhos que de outra maneira não seria atingidos sem o apoio e o incentivo financeiro. Um importante gesto para celebrar o ciclo de 15 anos desta orquestra que faz de sua juventude um aporte de qualidade e ousadia.
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| Orquestra Ouro Preto |
Tudo isso evidenciado pela técnica impecável com a qual cada naipe mergulhou no repertório clássico dos maiores ícones do rock mundial. Com a delicadeza de entender os espaços de silêncio que se faziam presentes em conduções tão seguras de coisas que para muitas orquestras ainda é um grande desafio, vide a delicadeza nas dinâmicas de piano, do crescendo prolongado que criava intencionalmente esse movimento de tensão entre esperar o ápice da canção se materializar e o expectador poder se libertar de todas as suas limitações e dançar, cantar e se envolver. Me deixou apaixonado. A mesma paixão que não me faz esquecer o solo de viola, da clareza com a qual aquele vulto de pele macia e tez tranquila proporcionava em diálogo com minhas mais notadas frustrações de entender tardiamente a beleza que emanava dos sons mais graves.
Fato esse que me fez pensar por longas horas sobre como deveria ser a recepção da música nas entranhas da violino que dançava ao receber a música de olhos fechados enquanto manejava seu instrumento, ou de quando ponderei ser precipitação, contemplação ou abstração da realidade desejar que aqueles cellos pudessem coexistir cá em nossa terra.E que a doçura da maciez daquelas arcadas convulsionando sincronizadas não anulava em nada o controle de arco que saltavam como prelúdio para os mais lascivos Pizzicatos que escutei até aqui. De quando evidenciei que o riso do maestro, a entrega dos músicos àquela magnifica banda de rock infelizmente era um campo de possibilidade de quando em quando em atear fogo as convicções mais conservadores entre a possibilidade de correlação e intertexto entre as manifestações de arte em nossas instituições.
Fotos: Nathalia Torres
Fotos: Nathalia Torres
quinta-feira, 26 de março de 2015
2014 quase não existiu para a música sinfônica em Sergipe, mas há sempre que se ponderar um novo ciclo. Então porque devo sair de casa e gastar meu tempo ouvindo um programa quase velho conhecido hoje?
1. 2014 foi atípico: Concertos previstos e cancelados aos montes. Série Igrejas, que não vingou. Músicos de gabarito que deixaram a orquestra rumo a melhores possibilidades nos deixando lacunas repensáveis. Demissão e pânico dos músicos numa configuração picaresca que levou furor à muitas categorias para além da orquestra e que no fundo, por sorte, era apenas alarde e o mais absurdo dos sumiços do ano, o do violoncelista juvenil que comoveu e mobilizou toda a sociedade sergipana, incluindo a mim que senti pesar pelo ocorrido e uma semana depois me senti ridículo ao entender que tudo não passava de uma orquestração pessoal e desmedida envolvendo mentiras e dinheiro.
1.1 E embora tudo isso, fico feliz em lembrar momentos incríveis do grupo como quando homenagearam à beira do túmulo a cantora Clemilda, Ou aquele Concerto singular com a cantora sergipana Patricia Polyne. E inúmeros outros como o Preludio a tarde de um fauno que ainda me faz amar o som da oboé, o repertório Disney que lotou por duas noites seguidas o teatro Atheneu, e sem dúvidas àquelas que juntas foram a maior preciosidade do ano de 2014: A fantasia sobre o tema da ópera Carmen do Frank Proto numa interpretação lasciva do contrabaixista Jair Maciel, assim como a noite dedicada aos Beatles com orquestração impar do James Bertisch que fez valer toda a temporada.
2. Mas é sempre bom quando iniciamos um novo ano e com ele vem o desejo de tudo novo de novo!
3. A regência hoje é por conta do Maestro Daniel Nery!
3.1 É o primeiro de uma série que começou bem terno e vibrante no parque dos cajueiros no aniversário da cidade.
4. Aliás aproveito para deixar registrado aqui (depois de um hiato enorme na qual mergulhei minha preguiça em escrever qualquer coisa) que o Concerto de aniversário de Aracaju foi sem dúvida muito envolvente, sobre maneira com as Danças do Brahms e o ponteio do Guerra-peixe que poderemos escutar outra vez hoje. Ainda que não relevante seja o que penso já que sou da ordem dos Cogumelos, me pareceu um concerto conciliatório e inteligente. Posto que era a fim de entreter uma plateia não muito conhecedora desse nosso gênero musical.
5. Começar o ano com um Guerra Peixe deve ser bom presságio, sobre tudo quando a obra em questão não é o Mourão.
5.1 E mais ainda por esperar a Primavera do Vivaldi desta vez sob a presença de um violino adequado à obra exigente como forma de que seja do tamanho do talento do solista Márcio Rodrigues.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Disse o Pessoa que o poeta é um fingidor. E que finge tão completamente que chega a sentir que é dor a dor que de verdade sente.
Poucas vezes vi tamanha excitação e aclamação perante a figura de um músico solista de sua própria orquestra como no concerto de ontem a noite da série Laranjeiras da Orquestra Sinfônica de Sergipe. Observação essa que prevaleceu sobre meu desejo de não escrever hoje. Há tanto que pode-se dizer sobre a atmosfera receptiva que envolveu o palco do Teatro Atheneu; desde a própria orquestra com a qual por apenas uma noite me dispus a fazer as pazes e vê-la distanciada de um olhar nublado e que até por isso pensei duas vezes em chamar esse post de " Se eu me apaixonar vê se não vai debochar da minha confusão. É que uma vez me apaixonei e não foi o que pensei... Estou só desde então", o solista ou também a figura serena do maestro sobre o estrado.
Depois de ter visto no municipal do Rio de Janeiro há um mês o Ballet Coppélia e sentir que aquilo havia sido das primorosidades que objetivo ver de quando em quando sempre que me dispuser a sair de minha cidade, e de idealizar o que é estrangeiro à minha realidade, voltar a Aracaju e ouvir a ORSSE me tomou de assalto a felicidade de chamá-la de minha e de recebê-la com o orgulho necessário a singeleza posta sobre o primeiro momento do concerto onde foi executado a abertura da ópera A flauta Mágica de Mozart e a Fantasia sobre a ópera Carmen para Contrabaixo e orquestra do norte americano Frank Proto. E bastava mesmo essas duas peças para que a noite tivesse sido completa.
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| Maestro Daniel Nery - Mozart - Beethoven - Jair Maciel |
Tudo aconteceu terno e de algum modo, mesmo em se chegando o fim de ano e o cansaço de uma temporada conturbada, como tem sido até aqui, não atribulou em nada a noite que parece que desde sua gênese sagrou-se vitoriosa. Como foi quando desde o início, a orquestra encheu o teatro com um som vigorante e nada fúnebre como quase sempre entendo a abertura da Flauta mágica. De modo a ter sido dançante e bem articulada em uma cadência convidativa a que pedagogicamente entendêssemos o espirito iluminista da obra. A uniformidade saltava vistosa do maestro Daniel Nery ao grupo e se estabelecia em uma unidade sequencial de sons em muitos trechos dialogando aconchegante, tão viva e firme quanto o necessário como prelúdio para o que chamarei de maior presente da noite, o solo do contrabaixista Carioca Jair Maciel na Fantasia sobre o tema de Carmen.
Daí talvez a necessidade de explicar a escolha pelo segundo título do post. E quando falo em dor e fingimento é apenas como metáfora para o que entendo como fingir não sê-lo quando em verdade o é. Se pudesse se ver de frente, com o olhar de expectador, seguramente se alegraria o contrabaixista em perceber em sua frente o artista como reflexo do desejo. Os aplausos no meio dos movimentos, a ovação anterior quando explicava as peças o maestro ou quando ao final demoradamente o aplaudiram de pé não foi em nada menor do que a proporção do que vimos em som. Em tempo de liquidez e fragmentação identitária, há muito artista que não se compreende como um ou não entende a dimensão transcendental de subir no palco e transformar a brutalidade da estrutura e da regra métrica em arte. O artista de ontem também finge não sentir, mas em verdade sente e o expõe exibicionista o interior que dedilha o instrumento como se não houvesse plateia, orquestra, maestros, medos e anseios, e se coloca diante de nós como brincar em seus estudos individuais em que se pode permitir imprimir sobre a leitura qualquer tom que destoe do convencional e faça sua própria interpretação.
Não menos notável a cumplicidade dele com a orquestra e com o maestro quando os deixavam ser grandes quando era um lapso perceber-se solista em meio a tantos outros instrumentos. Daí a grandiosidade da Aragonaise misteriosa e harmonicamente tão desconstrutora sobre a clareza do piano ao fundo como se nos quisesse mostrar um tablado espanhol e nos fazer entender que a tourada é nada mais que uma tentativa erótica de agarrar o drama pelo pescoço e reconhecer os crimes , as dores, os amores não correspondidos como uma pitada sarcástica das possibilidades do jazz. Ou então do diálogo com a harpa como sendo uma aliança verossímil ou a doçura das madeiras frente a frente com o atino arrebatador das cordas na Nocturne-Micaela’s Aria em um delicado andante, tão puro como obsceno ao desencadear na alma a possibilidade de liberdade e voo. E ao escutá-lo, confesso as lágrimas que açoitaram meu niilismo frente a possibilidade de que saltar de dentro a fora é mesmo olhar-se num espelho que diz ser este movimento a possibilidade de qualquer contrabaixo se transformar em violino caso assim o deseje. Mas não há porque já que se basta.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
As composições de Piano do Paulo Francisco Paes são como chão de Nuvens.
O dia de ontem foi feliz por duas grandes apresentações de piano na cidade do Rio de Janeiro. Ao meio dia e meio no CCBB dentro das programações do importante projeto Música no Museu pude ver o jovem Pianista e compositor Paulo Francisco Paes, já a noite no espaço BNDES às 19h o prestigiado Arthur Moreira Lima. Dois espetáculos grandiosos e inteiramente gratuitos que dentro de características distintas nos aprisionam a vê-los. E assim o foi.
Embora eu tenha rabiscado inúmeros pontos a partilhá-los aqui, decidi de última hora e como um sopro no ouvido que não me deixou ir por outro caminho, escrever sobre o que mais me prendeu. E se eu pudesse classificar a apresentação do Paulo Francisco, diria que foi como repousar sobre a possibilidade de mergulhar num quadro de imagens fortes ainda que as tintas fossem as mais claras na tela. Não o conhecia, confesso. De Aracaju quase não se pode ver o mundo ainda que a internet seja uma explosão de informações e novidades. Daí a importância de sempre e quando sair em busca de novos ares, como me propus agora estas duas semanas.
O jovem pianista já é bem conhecido por aqui e também já bastante laureado com premiações por todas as partes. Nada que seja maior em sua biografia do que o ar sereno com o qual mostra que identidade musical nada tem a ver com o corpo que se move frente ao instrumento. Mas que ir além na interpretação de determinada obra é o diferencial que impulsiona o êxtase da arte. Ao vê-lo em cena é como não esperar nada além de talento, mas ao escutar as primeiras notas de seu som, é sentir-se como entrando num vagão, feito o do Villa, e ser levado aos altos picos da montanha para de lá ver quão grandes possibilidades de frio na barriga se pode ter ao segurar a mão de um desconhecido.
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| Paulo Francisco Paes - Pianista |
Ao executar Fragmentos, e Naquela Tarde, sentia-me como vagando por um imenso corredor de muitas portas em busca de uma que me libertasse para o mar, tudo isso numa cadência misteriosa de ataques rígidos e de cinismo musical recorrentes nos filmes não comerciais. Ao me precipitar por cada porta, levado pelo martelar ora forte, ora delicado do piano, não antevia a facilidade que era girar a maçaneta e entender que lá fora, com o brilho do dia eu podia sentar-me à beira da fonte e escutar o canto dos pássaros. Era como ir-se, descortinando a natureza à medida que Paulo, no auto de seus 30 anos e recém regressado de uma temporada de estudos na Espanha, encheu de maturidade e ternura a Música no Museu.
De forma que vale a recomendação de alguns minutos de beleza e engenhosidade aos que se deixarem tomar pela mão num passeio até o alto da colina e conhecer os prodígios de um cd que inspira e diz muito sobre o novo olhar musical autoral no Brasil. Mais jovem, valente e ainda cheio dos mesmo velhos sentimentos de ondas do mar. De lá, a imagem é tua e não importa como as pinte, certamente os tons serão de alvorada.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Ao menos não foi como ter visto a treze anos atrás cair em Slow Motion as Torres Gêmeas. Ainda assim era 11 de Setembro e a poeira leva tempo até assentar-se.
A orquestra Sinfônica de Sergipe (ORSSE) recebeu em seu palco na noite de ontem duas importantes personalidades do cenário musical brasileiro. O Maestro Luiz Fernando Malheiro e a Soprano Daniella Carvalho que junto com a orquestra executaram um repertório dedicado à composições Americanas. Não ficou claro se o Concerto era alusivo ou não ao ataque das Torres do complexo World Trade Center, que sofreram um 2001 ataque terrorista matando milhares de pessoas, mas coincidentemente ou não a apresentação de ontem a noite carregou em si tal conotação.
É quase sempre engrandecedor receber convidados tarimbados para estar a frente de nossa orquestra, alguns passam como se fossem dispensáveis, é bem verdade, outros, como é o caso da Daniella e do Malheiro, chegam para abrilhantar e se fazer necessário frente a tamanho silêncio. Se não o fosse assim, o concerto de ontem teria sido mais um da série 2014 não tem sido um ano afável com a ORSSE, a julgar os desmantelos e amadorismos na condução desta temporada atípica.
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| Daniella Carvalho |
Não havia ruptura na densidade de seu canto, a não ser a necessária, a cênica, por conta da mudança de estilo musical. De maneira tal que não foi em nada lesivo a transição da primeira parte do Concerto, mais voltada a trechos sinfônicos, pra de quando no segundo momento a Soprano interpretou clássicos populares da música Americana como So In Love, I've got you under my skin, Night and day e Begin the beguine.
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| Luiz Fernando Malheiro |
Já o consagrado e tão prestigiado diretor operístico Luiz Fernando Malheiro, chegou ao Teatro Tobias Barreto, aqui em Aracaju, com a conotação leve de quem entende o palco no qual pisa. Sua figura por si desponta qualquer perspectiva de afoitismo e a tranquilidade com a qual dirige sua marcação é de impressionar pelo didatismo e singeleza. Ao tomar a voz no início do espetáculo, junto à Soprano, dedicou o Concerto à memória da renomada Soprano Italiana Magda Olivero, que faleceu aos 104 anos esta segunda-feira 08 de Setembro. E seguiu pelo caminho de agradecer o convite do Maestro Guilherme Mannis e enfatizar o lugar de destaque que a orquestra conquistou no cenário musical nacional.
É bem verdade e me alegro ouvir louros em relação a orquestra sinfônica de meu Estado natal, de vê-la dentre os quinhões de importância daqueles que vivem e promovem a música. A ORSSE é sem dúvida um espaço de construção interessante e porta em suas dependências muitos potenciais, desde os sublimes aos abissais. O que mais preocupa em tons menores é justo de onde ela veio, onde chegou e para onde caminha. Ao completar trinta anos de fundação, justo no ano de 2014 é uma orquestra que não merece por parte de seu próprio berço honras e menções. Homenagens mínimas que afaguem os anais da história. E segue errando por fazer dela um presente sem passado. Que surgiu do nada e caminha para o descompromisso com quem a mantém. Vagueia como quem é apenas uma máquina e que os sentimentos, o humanismo, próprio do indivíduo não ultrapasse a significância de apenas ser grupo. Seja por questões administrativas ou de ego, vide o Beatles sinfônico cancelado sem prévio aviso nos meios de comunicação e a constante desatualização informativa de suas atividades via site institucional que mudou muito desde o início da temporada. Se viver é ir-se despindo das cores que matizam a liberdade, até que nos precipitemos camaleonicamente no vazio incolor da necessidade última, que é morrer, espero que haja na ORSSE espirito de fênix para que 2015 ressurja com vigor de novo.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Dias chuvosos servem para que as melodias cheguem como presságio!
Mas bem que esse post poderia se chamar também Mistério. Fazia tempo e eu não escutava a trilha original do filme Central do Brasil composta em 1998 por Antônio Pinto (Filho do cartunista Ziraldo e também irmão do Menino Maluquinho) em parceria com o Violoncelista Jaques Morelembaum. Hoje a tarde choveu e atinei quase que de impulso sobre esta melodia que embolou todas as minhas memórias.
É bem certo que ao escrever agora o faço sem a perspectiva de ir pelo caminho da análise da composição, até porque já usei este espaço para falar do Antônio Pinto. O que me vem por hora é a lembrança do sentimento de medo que essa música causava não apenas no Josué (personagem central do filme vivido por Vinícius de Oliveira) mas também em mim quando o vi pela primeira vez e torci para que aquela fazenda em meio a aridez e a selvageria da pobreza no sertão de Pernambuco fosse realmente o destino final da busca de Dora, papel de Fernanda Montenegro, em busca do pai do menino. Lembro também desejo, com o qual Josué abre a cancela e sai em disparada até a casa central. O olhar desfalecido quando olha por primeira vez aqueles que serão supostamente sua família.
E me pergunto se não é mesmo um caminho delicioso esse o de rememorar épocas através das imagens que os sons nos possibilita. Enquanto as respostas não vem, a chuva que cai lá fora chega mesmo como presságio. Mas desta vez não igual ao que chegou ao Josué e o desapontou. Por sorte, ou por hora.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Entre o cinema e a música espanhola de Alberto Iglesias reside cores de Almodóvar!
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| Alberto Iglesias |
Foi justo através da análise desse casamento entre o compositor espanhol Alberto Iglesias e do também espanhol e célebre cineasta Pedro Almodóvar que retirei timidamente o primeiro fôlego por escrever algo sobre duas de minhas maiores paixões. O cinema e a música. Era um aficionado pelas narrativas fílmicas espanhola de diretores intrigantes e existencialistas como o Eloy de la Iglesia, Julio Medem e também o Almodóvar de onde justo me apareceu pela primeira vez a intrigante relação entre o cinema e a música do Iglesias.
Assistir ao filme Todo sobre mi madre foi a derradeira possibilidade sobre buscar conhecer mais desse grandioso talento musical que despontava como expoente das trilhas sonoras num cenário quase sempre dominado por Jhon Williams e Enio Morricone. Da curiosidade ao arrebatamento foi só questão de escutá-lo junto a outros diretores e histórias imortalizadas em grandes filmes como Os amantes do círculo polar do diretor Julio Medem que sobre Alberto em entrevista disse que grande parte da magia de seus filmes se devem às suas trilhas. E parece mesmo unanimidade entre os críticos que as canções do Iglesias são como personagens que ganham uma linguagem independente dentro dos filmes, como sendo a própria linguagem e entendimento.
Sobre esse fascínio que me tomou na primeira metade de 2008 compartilhei um texto bruto e ingenuo no meu velho e esquecido blog soldadinho de chumbo e hoje, seis anos depois decidi revisitá-lo a fim de encontrar aspectos de quando vi o filme do Almodóvar pela primeira vez. De modo que como algumas leituras haviam caducado, reeditei o texto que pode ser lido na íntegra em um espaço que venho colaborando com o site Violino vermelho desde o primeiro semestre deste ano.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Começou doce, virou mistério, caminhou rumo a espiritualidade, arrebatou ao passear pelo Brasil e ser tão universal. Ou de quando tem muito dinheiro entrando na minha conta por escrever este post e ainda assim deixo aqui o número de minha poupança a quem mais interessar me comprar: B.B agc: 5657-X CP: 15.207-2 / 51
Inegavelmente a Orquestra Sinfônica da Universidade de Sergipe (OSUFS) vem já há bastante tempo sendo dos maiores, senão o principal espaço de educação musical para o público aqui em Sergipe, e nessa perspectiva me alegra o fato de ser aluno da referida instituição, de já ter sido parte da Orquestra e principalmente por poder prestigiar de fora dela a grandiosidade de alcance a tantas camadas. Prioritariamente por entendê-la dentro de um plano de extensão que realmente funciona como base acadêmica aos que fazem o curso de música poderem não apenas ter mais um espaço para desenvolver seus conhecimentos, que sei, podem ser ainda maiores e mais coletivos, mas também de prestar contas à sociedade que os mantem de pé e neste processo de extensão universitárias nem sempre são respeitados.
tecnicamente não foi o concerto perfeito. Não está isento de que o vejamos como passível de críticas que desemborquem na qualidade sonora de alguns trechos específicos como a morte do Cisne (pela terceira vez aqui em Sergipe e justo pelas três orquestras do estado). E ainda assim prefiro ir na contramão de quem espera que eu vá justificar os concertos da OSUFS como imunes já que aprecio a visão artística do Maestro Ion Bressan e pautar justamente aquilo que julgo ter sido infalível para que a noite de ontem 14-05-2014, mesmo sob a égide de uma chuva torrencial e da pouca divulgação de massa o Teatro Tobias Barreto tenha recebido um público considerável e plural. Direcionamento artístico.
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| Concerto alusivo aos 46 anos da UFS |
E a noite foi recheada de cartadas que fizeram dela uma noite para além da chuva fora do teatro. Evolveu a medida que foi inteligente, artístico, pueril e não menos vibrante. Foi uma noite grata sobre maneira a que eu pudesse ver retornar ao palco do Tobias Barreto um formalismo estético e ponderadamente leve por parte de seu condutor ou também a altivez dominante de dialogar tão clarividente com seu público a ponto de não ser evasivo e prolongado ao dar ao público apenas um bis e sinalizar o fim de uma era em que plateia não sabia se portar com conveniência e direcionava situações de embaraço e tumulto a cada fim de apresentação. E ao pontuar este aspecto, não estou afirmando com isso uma era ditatorial e distante do público. E sim de que entendo as ações antigas como parte do aspecto de educação e formação de plateia. de prender pelo estômago o espectador mediante sua fome. E depois de saciá-lo, falar-lhe da importância de novas cozinhas e conceitos. Educação essa que permitiu em medida um concerto sereno e educado ao respeitar o espaço de execução de obras que eram sequenciais como o Requiém de Mozart.
Tangencialmente o concerto alusivo aos 46 anos de criação da Universidade Federal de Sergipe (UFS) foi também espaço de visibilidade para que pudêssemos presenciar o crescimento musical e artístico da orquestra. O direcionamento e intercalamento das obras direcionou o concerto para uma dinâmica bastante interessante que poderia ser suicida (vide ser um programa de tantos excertos), mas que se solidificou extremamente atraente ao ser popularesco a medida em que foi eloquente. Soube passear com tanta segurança por esta perspectiva que em nada pode ser acusado de não erudito. E como espaço acadêmico, de experimentação, três possibilidades me chamaram mais atenção.
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| Tarcísio Rodrigues |
A primeira no sentido cênico e plenamente avassalador quando o Spalla Tarcísio Rodrigues não só tomou o controle de suas expressões artísticas ao solar a Dança macabra do compositor francês Saint Säens, como também no plano musical pôde se mostrar tão maduro e expressivo como violinista. Foi tão engenhoso que conseguia, via suas pulsações, envolver seu naipe com um som recheado e reverberante a ponto de passar do palco ao público o mistério necessário para se deixar envolver pela dança. E por todo o conjunto desejar vê-lo mais vezes como estava ontem. Inspirado.
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| Naline Menezes |
A segunda possibilidade foi a de receber depois de oito anos vivendo em São Paulo a Soprano sergipana Naline Menezes para uma récita de memorável interpretação e potencial vocal. Já havia sido aprazível ao vê-la interpretar na semana passada temas da Disney e Brodway junto a ORSSE e se materializou para mim e além de qualquer desconhecimento prévio sobre o repertório que iria cantar, ao dar vida a canções como a melodia sentimental do brasileiro Heitor Villa Lobos, ou de quando cantava com todas as verdades cênicas um excerto da ópera Madame Buterfly de Giacomo Puccini fazendo qualquer um no teatro crer que mesmo trajando um lindo vestido azul tropical, fosse em verdade uma gueixa. A doçura que perpassou as canções veio num sentido identitário, o de reconhecer em nosso seio um talento nato com extensão de sabiá.
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| OSUFS e a Soprano Naline Menezes |
E não menos empolgante, refleti toda o dia sobre como é vistoso o crescimento da orquestra, como dialoga num sentido de ir buscando se firmar como de fato essencial aos que a apenas a veem menor do que potencialmente o é. São níveis técnicos e maturidades divididas entre quem já faz música e os que estudam para isso. E ainda que pungente ao fato de ser uma orquestra não profissional, e sim acadêmica e, que por sua própria natureza, tenda sempre buscar um limiar entre repertórios maduros e tecnicamente executáveis, tem sabido se colocar de maneira vistosa e desejo que siga mesmo rumo a esse caminho. Bem como já havia falado em relação a temporada 2014 da ORSSE, afirmo o mesmo para a OSUFS, sinto que vá ser um grande ano para realizações e auto-firmações. Para isso, a orquestra contará inclusive com o empenho vistoso do CORUFS. Tem impressionado muito pelo entrosamento e pelas qualidades vocais que tem passado por ele. Ao soar no teatro ontem o Réquiem ganhou toda a virilidade que lhe custou a acústica em sua ultima apresentação na igreja do São José.
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