sexta-feira, 18 de abril de 2014

Juro que todos os dias sonho em matar de vez este blog. Não o acho nada além de armadilha e ainda assim me sinto preso a seguir porque o amo, assim como amo a ORSSE ainda que me lembre o Gabo escrever quase em amarelo que o amor é uma cólera. Ou de quando Habemus Programa da temporada 2014 da Orquestra Sinfônica de Sergipe

Esperar o programa anual é quase a gestação de uma criança. E então me pergunto no espelho: 
_ Se o programa for muito mais do mesmo é equivalente a sentires que carregas nos braços uma criança feia? 
_ Tenho certeza que sim. E como todo pai imagino olhá-lo com os olhos de primeira vez. Sem tentar presumir o que será quando grande, se terá muitos e bons amigos, se serão poucos mas fiéis. Amará ou será amado? _ Será que haverá espaço para o ódio? 
_ Meu reflexo então respondeu paciente como se fosse a Roberta Sá e sem o riso cínico habitual no rosto ( não o dela, o meu. O meu eu no espelho) : _ Não há amor sem que uma hora o ódio venha e então que seja bendito o ódio que mantenha a intensidade do amor.
Não contente vasculhei umas fotos antigas; achei umas de mim criança e me pus a rir desenfreadamente com a feiura estampada em álbuns seguidos. Achei também umas de meus irmãos e mostrei ao mais novo. Não tínhamos certeza se era ele ou o outro. Ficamos confusos até ir tirar as conclusões. O pai respondeu que era o mais velho, e rimos sem parar como felizes por ser bem mais feios que nós dois ao que a mãe replica: Esse é você Elevi. 
_ Como a senhora sabe que sou eu? os tamanhos são diferentes e a cara não é a mesma.
_Tá ficando louco menino? Você saiu de dentro de mim esqueceu? 
Segui rindo, e não mais de nossas feiuras. Ria do quão simples é enxergar beleza onde não há, justo porque ali reside amor. E se é esperado como a um filho, se no parto doer e fizer chorar de emoção, ainda que nos primeiros passos tropece, que ao falar a primeira palavra não seja papai ( fazendo-o odiar o fato de ele não ter sido gerado em suas entranhas). No fim, rirá de contemplação e o abraçará como seu. E o é. 








Temporada 2014

  • Série “Música nas Igrejas” I

    25 de abril de 2014

    25, sexta-feira, 20h30
    Série “Música nas Igrejas” I – Primeira Igreja Batista de Aracaju

    GUILHERME MANNIS, regente
    MARCIO RODRIGUES, violino
    MIRNA HIPÓLITO, flauta
    ERICA RODRIGUES, flauta

    Georg Friedrich HÄNDEL
    Abertura do oratório “O Messias”
    Johann Sebastian BACH
    Concerto de Brandemburgo nº4, BWV 1048, em sol maior
    Felix MENDELSSOHN
    Sinfonia nº5, op.107, em ré maior, “A Reforma”
  • Laranjeiras I

    08 de maio de 2014

    08, quinta-feira, 20h30
    Laranjeiras I – Teatro Atheneu
    Concerto popular, Disney e Broadway

    DANIEL NERY, regente
    NALINI MENEZES, soprano

    Leonard BERNSTEIN
    Abertura Candide
    Stephen SCHWARZ
    Defying gravity, do musical “Wicked”
    Kristen ANDERSON-LOPEZ
    Let it go, do filme “Frozen”
    Andrew LLOYD WEBBER
    Think of me, do musical “O Fantasma da ópera”
    Claude SCHONBERG
    I dreamed a dream, do musical “Les Miserables”
    Johann Sebastian BACH/Leopold STOKOWSKI
    Toccata e fuga em ré menor
    Amilcare PONCHIELLI
    Dança das Horas, da ópera “La Gioconda”
    Paul DUKAS
    O Aprendiz de Feiticeiro

  • Cajueiros II

    22 de maio de 2014

    22, quinta-feira, 20h30
    Cajueiros II - Teatro Tobias Barreto

    GUILHERME MANNIS, regente
    DANIEL GUEDES, violino
    CORO SINFÔNICO DA ORSSE
    DANIEL FREIRE, regente

    Ludwig van BEETHOVEN
    Abertura Egmont
    Richard WAGNER
    Abertura e coro inicial da ópera “Os Mestres Cantores de Nurembergue”
    Coros “Einzug der Gäste” e “Beglückt darf nun”, da ópera Tannhäuser
    Johannes BRAHMS
    Abertura Trágica, op.81
    Ludwig van BEETHOVEN
    Concerto para violino e orquestra em ré maior, op. 61, em ré maior
  • Mangabeiras I

    05 de junho de 2014

    05, quinta-feira, 20h30
    Mangabeiras I - Teatro Tobias Barreto

    MPB Sergipana – Patrícia Polayne

    DANIEL NERY, regente

    O circo singular
    Sapato novo
    Arrastada
    Lentes de contato
    Quintal moderno
    Aparelho de memoriar
    O dote da donzela
    Rio Sim
    Sabiá, beija-flor
    Para o infinito
    Olhai o tempo do interurbano
  • Laranjeiras II

    27 de junho de 2014

    27, sexta-feira, 19h
    Laranjeiras II – Museu da Gente Sergipana

    GUILHERME MANNIS, regente

    Homenagem à cantora “Clemilda”

    Forró sem briga
    Recado a Propriá
    Rodero novo
    Fazenda Taquari
    Morena dos olhos pretos
    Guerreiro Alagoano
    Exaltação a Sergipe
    Prenda o Tadeu
    Recado pra Zetinha
    Dança Kerrenca
    Bilhete pra comadre Dinha
    Mamar na vaca ninguém quer
    Com menos gente
    Prenda o Tadeu
  • Cajueiros III

    10 de julho de 2014

    10, quinta-feira, 20h30
    Cajueiros III – Teatro Tobias Barreto

    GUILHERME MANNIS, regente
    CORO SINFÔNICO DA ORSSE
    DANIEL FREIRE, regente

    ROSANA LAMOSA, soprano
    CAROLINA FARIA, mezzo-soprano
    PAULO MANDARINO, tenor
    SEBASTIÃO TEIXEIRA, barítono

    Giuseppe VERDI
    Hino das nações
    Johannes BRAHMS
    Variações sobre um tema de Haydn, op.56a
    Anton BRUCKNER
    Te Deum
  • Mangabeiras II

    24 de julho de 2014

    24, quinta-feira, 20h30
    Mangabeiras II – Teatro Tobias Barreto

    DANIEL NERY, regente
    ANTONIO LAURO DEL CLARO, violoncelo

    João Guilherme RIPPER
    Psalmus
    Nino ROTA
    Concerto para violoncelo e orquestra
    Ralph VAUGHAN-WILLIAMS
    Sinfonia nº2, em sol maior, “Londres”
  • Mangabeiras III

    07 de agosto de 2014

    07, quinta-feira, 20h30
    Mangabeiras III – Teatro Tobias Barreto

    JUAN TRIGOS, regente convidado
    TAMILA SALIMDJANOVA, piano (vencedora do concurso BNDES)

    Piotr I. TCHAIKOVSKY
    Concerto nº1, em si bemol maior, para piano e orquestra
    Juan TRIGOS
    Sinfonia nº2, versão de câmara
    Alberto GINASTERA
    Variaciones Concertantes
  • Laranjeiras III

    27 de agosto de 2014

    27, quarta-feira, 20h30
    Laranjeiras III – Teatro Atheneu

    GUILHERME MANNIS e JAMES BERTISCH, regentes

    Edital da música sergipana – Cantores e bandas da terra
    Beatles Sinfônico
    Eleanor Rigby
    Got to get you into my life
    She’s leaving home
    Strawberry fields forever
    Penny Lane
    All you need is Love
    I am the walrus
    Pepperland (George Martin)
    Glass onion
    Martha, my dear
    Here comes the sun (George Harrison)
    Golden slumbers – Carry that weight – The end
  • Mangabeiras IV

    11 de setembro de 2014

    11, quinta-feira, 20h30
    Mangabeiras IV - Teatro Tobias Barreto
    An American Tour – Obras populares americanas

    LUIZ MALHEIRO, regente
    DANIELA CARVALHO, soprano

    Samuel BARBER
    Abertura “The School for Scandal”, op.5 (1931)
    Knoxville:  Summer of 1915
    Intermezzo da ópera “Vanessa”, op.32 (1957)
    Andromache\'s Farewell, op.39 (1962)
    George GERSHWIN
    Abertura da ópera “Porgy and Bess” (1935)
    Summertime, da ópera “Porgy and Bess” (1935)
    Harold ARLEN
    Somewhere Over the Rainbow (1938)
    Cole PORTER
    Medley (Begin the begin - So in love - I\'ve got under my skin - Night and day)
  • Cajueiros IV

    25 de setembro de 2014

    25, quinta-feira, 20h30
    Cajueiros IV – Teatro Tobias Barreto

    GUILHERME MANNIS, regente
    ALESSANDRO BORGOMANERO, violino

    Piotr I. TCHAIKOVSKY
    Serenade Melancolique
    Henry WIENIAWSKY
    Concerto nº2 para violino e Orquestra
    Piotr I. TCHAIKOVSKY
    Sinfonia Manfred
  • Mangabeiras V

    09 de outubro de 2014

    09, quinta-feira, 20h30
    Mangabeiras V – Teatro Tobias Barreto

    HELDER TREFZGER, regente convidado

    Heitor VILLA-LOBOS
    Sinfonietta nº1
    Renato GOULART
    Três momentos Sinfônicos
    Wolfgang Amadeus MOZART
    Sinfonia nº41, em dó maior, “Júpiter”
  • Laranjeiras IV

    22 de outubro de 2014

    22, quarta-feira, 20h30
    Laranjeiras IV – Teatro Atheneu

    VICTOR HUGO TORO, regente convidado
    DANIEL FREIRE, piano

    Charles GOUNOD
    Suíte Fausto
    George GERSHWIN
    Rhapsody in Blue
    Joseph HAYDN
    Sinfonia nº104, em ré maior, Londres
  • Cajueiros V

    06 de novembro de 2014

    06, quinta-feira, 20h30
    Cajueiros V – Teatro Tobias Barreto

    DANIEL NERY, regente
    JAIR MACIEL, contrabaixo

    Wolfgang Amadeus MOZART
    Abertura da ópera “A Flauta Mágica”
    Frank PROTO
    Fantasia sobre a ópera “Carmen”, para contrabaixo e orquestra
    Ludwig van BEETHOVEN
    Sinfonia nº6, op.68, em fá maior, “Pastoral”
  • Série “Música nas Igrejas” II

    21 de novembro de 2014

    21, sexta-feira, 20h30
    Série “Música nas Igrejas” II – Primeira Igreja Batista de Aracaju

    GUILHERME MANNIS, regente
    FÁBIO FREITAS, saxofone

    Heitor VILLA-LOBOS
    Concerto para Saxofone e Orquestra
    Hector BERLIOZ
    Sinfonia Fantástica
  • Laranjeiras V

    04 de dezembro de 2014

    04, quinta-feira, 20h30
    Laranjeiras V – Teatro Atheneu

    DANIEL NERY, regente
    HEINZ SCHWEBEL, trompete

    Camille SAINT-SAËNS
    Dança macabra, op. 40
    Alexander Arutunian
    Concerto para trompete e orquestra
    Franz SCHUBERT
    Sinfonia nº4, “Trágica”
  • Natal da Gente Sergipana

    06 de dezembro de 2014

    06, sábado, 17h
    Museu da Gente Sergipana

    GUILHERME MANNIS, regente

    NATAL DA GENTE SERGIPANA
  • Cajueiros VI

    18 de dezembro de 2014

    18, 19 quinta e sexta-feira, 20h30
    Cajueiros VI – Teatro Tobias Barreto

    GUILHERME MANNIS, regentes
    CORO SINFÔNICO DA ORSSE
    CORO INFANTIL DA ORQUESTRA JOVEM DE SERGIPE
    DANIEL FREIRE, regente
    NALINI MENEZES, soprano
    ROZIEL BENVINDO, barítono
    JONATHAS MATHIAS, tenor

    Carl ORFF
    Carmina Burana

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Nunca recuse um convite de ir comer Peruvian food achando que um Villa Lobos pode te preencher mais. A fome se duplicará até te lembrares que esta noite choveu muito nas pedras de tua rua.

1. Continuo creditando muita expectativa sobre o trabalho do Maestro adjunto da Orquestra Sinfônica de Sergipe (ORSSE) Daniel Nery, ainda que ele tenha se arrastado sobre o próprio peso ao reger a 7ª Bacchiana do Heitor Villa Lobos esta noite. Não duvido que suas tentativas de levar bom entretenimento passa antes por uma dedicada análise conjetural. Como quando se compromete a aproximar-se da plateia de maneira leve e natural, ou de quando há que se notar que nada pode contra a ineficiência técnica de determinado setores sob a sua regência.

1.1 Muito boa a escalação do programa desta abertura de temporada (e não, o concerto de aniversário de Aracaju não havia sido a abertura como divulguei aqui, ainda que eu não entenda a anulação de um pelo outro.) Juntos o Prelúdio para a tarde de um Fauno, de Claude Debussy, a Pavane op. 50 de Grabiel Fauré e a sétima Bacchianas brasileiras do compositor brasileiro Heitor Villa Lobos somam uma atmosfera de doçura e viagens vibrantes por movimentos distintos como o Impressionismo, Romantismo e o Modernismo. 

2. Fico feliz sempre que ouço a flauta da Mirna Hipólito e para além do que foi o todo hoje, nesta peça em questão,  ao entregar o tema do Fauno para a querida Oboé (que desconheço o nome, já que procurei referências suas no programa, mas ele está um tanto desatualizado) pude sentir que um minuto apenas que seja, vale um concerto inteiro de esperança.

3. E justo para reparar uma injustiça descabida de quem não lê o que escrevo e brinca de telefone sem fio: Quando falo do desgosto pessoal pelas madeiras das ORSSE tenho claro o brilhantismo dos que brilham como o Clarinetista Felipe Freitas (que hoje mais que tudo, em muitos momentos arrancou fôlego para salvar a beleza, como  lá pelo 5 minuto da Pavane ) e o Fagotista Isaac Soares que para além do programa, sempre nos arranca atenção para o som desconhecido e misteriosamente tão bem empostado de seu instrumento. 

4. Repito que me alegra ouvir a Thais Rabelo conduzir a Harpa, e ainda que soe clichê a defesa do músico sergipano em seu ingresso intermitente nos espaços musicais em nossa província. Há muito talento nela por defender.

5. Se há algo de sonoro e bonito nos violinos como o foi hoje em bons momentos, como quando pareciam querer salvar o fiasco que foi o Villa Lobos, lá do meio para o final do segundo movimento (quadrilha caipira) ou durante toda a fuga no quarto movimento, é ver se destacar lá no final do naipe de violinos primeiros o curitibano Eduardo Linzmayer. Ao que me pergunto diante de tamanha desenvoltura com a qual brinca de tocar e com isso faz festa, assim como o faz a primeira estante, o que ainda estão fazendo se perdendo nesta orquestra. Não há dúvida que haja destreza e potencial para o voo além fronteiras. Espero que não caduque o tempo nem seja cruel a paralisia que corrompe o desejo de seguir. 

6. Deus salve minha cabeça  e os Cellos da ORSSE.

6.1 Deus salve minha cabeça e os Oboés da ORSSE

7. Deus salve minha cabeça e desfaça a confusão aparente na qual os metais mergulharam neste 10 de abril. Que não seja reflexo do ano inteiro.

8. Isso tudo para desfazer o maldito que encontrei escrito aqui de que ano após ano os músicos da ORSSE vem crescendo e aprimorando a ênfase dos programas trabalhados. O concerto de hoje foi prova minuciosa de que tentar desviar o caminho da naturalidade como quem tapa o sol com a peneira não é em si uma boa abordagem. 

9. Assim como não entendo o comprometimento por parte da Secult, já que é ela quem subsidia as atividades de nossa orquestra, em fingir de maneira ensandecida  que a ORSSE só existiu desde o Maestro Guilherme Mannis para frente. Não é uma questão de defesa pessoal ao Maestro Ion Bressan como rotulam muitos a meu respeito, e sim um ataque direto à ignorância dos que esquecem que bem antes dos dois maestros a Orquestra já tinha uma história sob a direção de tantos outros regentes e situações sócio-economicas como o Maestro Sergipano Rivaldo Dantas. 

9.1 É sem duvidas um crime grave contra a memória da construção da cena musical no nosso Estado que seu site ou veiculações jornalísticas não apresente minimamente a ORSSE desde a sua fundação na década de oitenta e apresente-a como ativa e regular apenas a partir do ano de 2007 como pode ser conferido aqui.

10. Tudo isso para que voltemos ao ponto inicial: Para quem serve e a que serve termos uma instituição tão cara que não preserva as raízes memorialistas de nossa história e passa por cima de conceitos mínimos como o de não entender o público sergipano e os artistas da terra como parte integrante de seu funcionalismos. Fazer essa tal integração inclusive, vai além de promover um concerto alusivo as obras da Disney e Broadway e estigmatizá-lo como popular, ferindo o caráter inicial e melódico das composições eruditas, ou de achar que nossa identidade é apenas o Forró. Que venha Cremilda e Polayne, mas que também se comprometa a conhecer nosso folclore como música de raiz...

terça-feira, 8 de abril de 2014

De cuando hay mucho más de Brasil en Medardo Casaibanda e de Ecuador en Ion bressan de lo que se pueda decirlo! O también de cuando soy loco por ti America, soy loco por ti de amores: Tenga como colores La espuma blanca De Latinoamérica y el cielo como bandera...

A última sexta-feira dia 4 de abril foi sem dúvidas uma noite memorável para a Orquestra Sinfônica da Universiade Federal de Sergipe (OSUFS) que recebeu para uma noite de concerto na igreja Católica do São José, na cidade de Aracaju, o maestro Equatoriano Medardo Casaibanda. Fazia tempo e a OSUFS não se mostrava. Ao menos não como imagino que deva ser. Sozinha e única como fim em si mesmo. Os concertos últimos eram todos uma emaranhado de tantas orquestras funcionando juntas e confesso isso me fazia não ter tanto ânimo em ir visitá-la.

Medardo Casaibanda
Ânimo esse que se restabeleceu ao recebermos em nossa cidade um maestro que não veio apenas reger e sim mostrar quão diverso e qualitativo é o nosso cone sul aqui na América Latina. E por minutos que ecoam cada vez que lembro bonitas passagens daquela noite, veio restabelecer o elo que existe entre o fazer musical e o ser músico. É inegável a injeção que sua presença trouxe ao conjunto que ensaiou e se apresentou de maneira ardorosa e empenhada como nem sempre o é.

Orquestra Nacional do Teatro Cláudio Santoro (OSTNCS)
E se o público presente não era tão farto como o foi no teatro Pedro Calmon em Brasilia quando o mesmo Casaibanda regeu o Concerto n º 3 para Piano e Orquestra em Dó menor , op. 37 de Beethoven, a regência leve e comprometida em extrair ao máximo tudo quanto foi desenhado nos ensaios entre coro e orquestra usurpou qualquer declive e deu ao público presente um concerto ideal. Satisfatório e didaticamente comprometido com a formação de uma plateia mais atenta às várias possibilidades que uma orquestra tem ao executar obras sinfônicas e de como se portar diante dela em execução. O concerto neste ponto foi o que de mais interessante me veio já que pude ouvir desde Tchaikovsky com a Suíte Quebra nozes numa dinâmica de cadência não tão óbvia como de costume e que muito me impressionou pela brincadeira que fez dela cadenciada e até circense principalmente quando o foco era a Valsa das Flores, até mesmo o Réquiem de Mozart ou o tão conhecido Can Can de Offenbach. Todas tão vibrantes quanto o meu desejo de que o concerto representasse muito além do que mais um dia isolado para metade da própria orquestra que desacredita a existência de boas possibilidades por parte de seu conjunto e que bem entendo, pode realmente ser menos passiva e se mostrar muito mais séria do que é. Menos preguiçosa do que vejo quase sempre. E embora eu entenda o caráter acadêmico de estruturação da OSUFS e os tantos percalços pelos quais ela se lançou até saltar do papel à realidade como esforço do Maestro Ion Bressan e ser mais um espaço real de oportunização da prática orquestral para muitos jovens universitários, vejo também do outro lado da moeda uma bagunça estética constante e uma desenfreada falta de bon senso educativo. Espero, a falta de educação dos músicos (os sopros mais que tudo) e também espantosamente o coro reflitam sobre todas as vezes em que o Maestro Medardo tenha pedido silêncio ou falado sobre a importância dele para que um conjunto possa se entender como um trabalho coletivo, e que essa reflexão não leve à constatação de que se a roupa suja se lava em casa, que o maestro Ion  (Regente e diretor artístico da Orquestra) os ensine a lavar com sabão que faça menos espuma: assim como no salto ornamental, que quanto menos água espirrar, melhor desenvoltura do candidato).

Mas para além de qualquer irritação aparente, dessas que saltam da observação falaciosa de um Jonas Urubu comprometido em levar a discórdia e o fel em forma de escrita, o concerto, esse o mais importante para todos que se dispuseram a vê-lo, muito me alegrou dentro da dinâmica simples de alcançar o alvo e se mostrar como o inicio de uma temporada que pode ser muito produtiva, e assim desejo. Se era proposital ou não, conseguiu ao menos mostrar que sim, ainda que com tão poucos recursos é possível ser vistosa e plural.
Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Sergipe (OSUFS)
Que a vinda de um Maestro equatoriano tenha mostrado a tanta gente desatenta que nós aqui no Brasil vamos sempre na contramão artística ao nos aproximarmos do público como se fosse Europa e esquecemos que a latinidade, a simplicidade não menos rica e comprometida com o esmero dos povos latinos dialoga muito mais com nós mesmo do que possamos imaginar, assim como ouvir a execução de uma dança tipicamente equatoriana, com todos os sons, sabores e cores que se materializavam fácil para se transformar no nosso samba tão bem dançado sem os exageros de fazer com que o estrado fosse também instrumento na Aquarela do Brasil (do brasileiro Ary Barroso) tão docemente orquestrada pelo maestro Bressan.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Ouve aquela canção que não toca no rádio 2!

Tudo começa de um ponto nulo em que nos damos conta da importância de algo. Daí a seguir parado ou se movimentar é um abismo. Semana passada revolvi na cama com o espirito inquieto em busca de uma melodia. Nas gavetas entreabertas de minha escrivaninha nada de muito expressivo, nas muitas pastas com arquivos de áudio em meu computador era também mais do mesmo. 

Desde começar a chover agorinha a pouco e os pingos grossos de chuva açoitarem a porta de vidro potencializando o frio vindo do ar-condicionado e a mesma sinfonia se repetir extensivamente no meu celular, decidi não escutá-la e o som que seguia se propagando no quarto abafava meu tesão em despertar por completo. Muitos instrumentos chiando ao mesmo tempo dessa vez foi lacerante, acho inclusive que só por hoje ou ao menos por aquela eternidade em que minha cama era maior alento que meu desejo musical, decidi que um ou dois instrumentos estavam de bom tamanho. 


terça-feira, 25 de março de 2014

A minha mãe me deu uma surra porque quebrei uma tigela. Imagine se ela visse meu namoro na janela Papagaio.

Na última segunda-feira em comemoração ao aniversário da cidade de Aracaju, a Orquestra Sinfônica de Sergipe (ORSSE) prestigiou o público sergipano com um concerto alusivo à data e deu ponta pé inicial à temporada de apresentações do grupo. Uma concerto que se iniciou na tarde daquele dia, varou a noite e empolgou muitíssimo os presentes no Parque dos Cajueiros. 

2014 parece abrir-se com uma perspectiva diferente dos anos anteriores em muitos segmentos musicais em Sergipe. E em vários aspectos se configura como uma boa perspectiva de tentativas de ajustar erros substanciais ou alcançar patamares ainda inalcançáveis. Foi dentro dessa perspectiva que vi a ORSSE se lançar no último concerto e nos prestigiar com um concerto dançante, envolvente e sereno. Alcançar a população sergipana  é talvez ainda o único mérito não conseguido pelo grupo que passeia como unanimidade entre os meios de comunicação que a vincula sempre de maneira muito positiva, e tem lá suas verdades. 

Desde a entrada do Regente Paulista Guilherme Mannis à frente da direção artística do grupo, é vistoso quanto a orquestra deu saltos e vem se mostrando esteticamente coerente com o título que carrega. O de orquestra. Desde pequenos detalhes como uma melhor editoração dos programas impressos até às formalidades cênicas de palco que são seguidas a risca como  fazem os grandes grupos. Mudou o figurino, mudou o direcionamento artístico com a escolha de repertórios mais eruditos e menos excertosos, tentou desvencilhar-se mais dos palcos do teatro com um série de concertos dedicada a levar música clássica aos interiores do nosso estado e também da catedral metropolitana de Aracaju. São indizíveis contribuições inclusive para desmistificar em nosso estado a arte como consequência ocasional e não como produto de uma concepção detalhadamente maior. 

Méritos impassíveis de injúria mas que em termos práticos não causam nada além de sono a quem desconhece o funcionamento real de uma agremiação como essa. E se o digo é justamente para aludir ao fato de que mesmo exultante frente a tantas qualidades, me preocupo por aquilo que  deveria ser mais importante. Derrubar os muros que separam a multidão extasiada do concerto no Parque e levá-los aos espaços fixos da orquestra. Não é tarefa fácil, mas como já pôde evidenciar o Maestro Mannis em boas oportunidades não é a coisa mais inatingível de se fazer e prima por conceitos bem menores. Não estou com isso dizendo que os concertos devem ser pautados por programas puramente populares, por que não é apenas uma questão de escolha de repertório. É entender para quem ou pra que fazemos um concerto e mantemos um grupo que não representa nada em termo de identidade aos que a mantêm como grupo. E acho mesmo que o êxito parte por esse caminho. O de se firmar como o que se pode ser e não como aquilo que não é.

A ORSSE é sim representativamente interessante, mas muito se construiu sobre o pilar da mentira que se naturaliza como verdade.  É só olhar para determinados naipes deteriorados da orquestra que podemos constatar a inexistência deles e como reflexo direto o mau funcionamento da execução de determinadas obras, e tudo isso desemboca inclusive no fato de como plateia,  esperar por concertos que nunca virão ou mesmo alguns que já se anunciam como tiro no pé. E se é duro refletir sobre questões tão preliminares, imaginemos seguir por um caminho pior que é o de constatar que em termos de manutenção a orquestra praticamente paga para existir justamente por não sair do meio termo. Não se auto sutenta como os grandes grupos vide a baixa procura regular por suas apresentações, e nem se abre para ser casa de observação de todos. É como apenas e exclusivamente  portfólio da vaidade de um maestro que inclusive na temporada de 2013 esqueceu de reger sua própria orquestra e viajou.






segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

1º Festival de Violão de Sergipe - FEVISE ou de quando escrever sobre violões num dia quente e sem o acalanto de Dorival é como ouvir a Rachel Sherazade defender o que é Esquerda ou Direita como se fosse meu amigo defendendo a assinatura criminosa da trilha do Antônio Pinto em O amor nos tempos de cólera!

Acho que a única vez que falei sobre violão aqui neste blog foi quando apresentei o Cd duo do Daniel guedes em parceria com o violonista Mario Ulloa. E não por gostar menos das possibilidades musicais do instrumento. Fico feliz em voltar neste espaço e falar sobre uma ótima iniciativa do Núcleo de Música da Universidade Federal de Sergipe com o Estado de Sergipe através da Secretaria de Cultura, que é justo o 1º Encontro de Violão de Sergipe - FEVISE. Já falei em outras oportunidades sobre a falência de um curso de música compatível com a realidade não só da licenciatura ( ainda não compreendida pela própria UFS (vide a grade curricular do curso)) aqui em nosso estado, e de como é função primeira a do curso universitário, transformar o cenário cultural à nossa volta como pragmatismo da extensão universitária.  Se preciso for fazendo as pontes necessárias que ultrapassem os muros da universidade.

A parceria entre as duas instituições veio bem a contento no sentido de se apresentar como mais uma
oportunidade não apenas de entretenimento, mas também a de espaço acadêmico em que não apenas o fazer musical como também  o mercado, a demanda, a aproximação  entre público e palco estejam em pauta para um desenvolvimento reflexivo do espaço da música em nossa sociedade, nesse caso através de um instrumento tão conhecido de todas as camadas, mas que ainda virgem para muitos como perspectiva não apenas popular. Nessa configuração que acontecerá sempre no Palácio Museu Olímpio Campos, já passaram por lá desde professores da UFS, alunos e convidados dentro e fora do estado como Emanuel Vasconcelos, Gilson Antunes, Marcos Ferrer, Lucas Pinheiro, Quarteto de violões de Sergipe, dentre tantos outros nomes que despontam.

Pude presenciar na última sexta-feira um concerto duo do flautista e professor da UFS João Liberato e Ricardo Vieira, a quem desconhecia mesmo depois de tantas tentativas de minha amiga blogueira Thirza Costa do Violinos de salto, em apresentar o seu talento, e nasceu para mim naquela noite como um oásis. Nele pude escutar desde jaques do pandeiro a Piazzolla, ou mesmo a bonita interpretação de Água e vinho do Eriberto Gesmonti seguida de duas peças autorais composta pelo sergipano Saulo Ferreira. O que me fez lamentar ainda mais o fato de não ter podido ver a primeira edição do projeto mas dedicar meu tempo a que se conheça a iniciativa e indicar aos leitores deste espaço, essa oportunidade como uma boa observação à ruptura da ociosidade artística em nosso Estado. 

O projeto que vai até o dia 23 de maio, acontece sempre às sextas as 19:00h e recebe como entrada  1K de alimento não perecível que será devidamente ofertado a instituições de caridade. Com repertórios que passeiam didaticamente desde o popular até o erudito, o FEVISE é um bom espaço de diálogo sobre o campo musical e suas possibilidades acadêmico-artísticas. Espero que vingue, que se propague e não se esqueça em alguma gaveta institucional. Vale conferir. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Temporada 2014: Concertos inaugurais!

Filarmônica de Minas Gerais
25 de fevereiro TER - 20h30
Palácio das Artes









Marcos Arakaki, regente
Joyce Yang, piano


GUERRA-PEIXE      Museu da Inconfidência
MOZARTConcerto para piano nº 24 em dó menor, K. 491
TCHAIKOVSKYSinfonia nº 5 em mi menor, op. 64

OSPA

09 de fevereiro   11h     entrada franca
Auditório: Araújo Vianna

Regente: Manfredo Schmiedt
Solistas: Daniel Germano (baixo) e Morena Bauler Chagas (soprano)
Participação: Coro Sinfônico da Ospa
PROGRAMA
John Williams: Superman March
Alan Silvestri: Concert Suite The Polar Express (Arr. Jerry Brubaker)
Klaus Badelt: Piratas do Caribe (Arr. Ted Rickets)
Ennio Morricone: Gabriel’s Oboé: A Missão (Arr. D. R. Havens)
Hans Zimmer: Música do Gladiador (Arr. John Wasson)
Arr. Calvin Custer: Temas do 007
Leroy Anderson: The Typewritter, cena de “Errado pra Cachorro”
John Williams: Concert Suite, de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (Arr. Ralph Ford)
John Williams: Tema de “A Lista de Schindler”
John Williams: Star Wars: Episode I: The Phantom Menace (Arr. Jerry Brubaker)
Howard Shore: Lord of the Rings – The Fellowship of the Ring Symphonic Suite (Arr. John Whitney)

OSESP
13 de fevereiro 19h30
Sala São Paulo

Amazonas Filarmonica 
Série Guaraná
16 de fevereiro 20h00 
Carlos Vieu - Regente (ARG) 

OSTP  (Orquestra Sinfônica do Teatro da paz)
13 de fevereiro   Belém - PA
Miguel Campos Neto - Regente
Programa:
O Franco Atirador (abertura), de Weber. 
Sonho de Uma Noite de Verão (suíte), de Mendelssohn.
 4ª Sinfonia de Brahms.

Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí
16 de fevereiro 
Sala São Paulo          Série Concertos Matinais. 
João Maurício Galindo – regente.
Programa:
Beethoven - Sinfonia nº 1; 
Mozart - Vesperae Solemnes de Confessore para coro e orquestra.